O Ministério da Saúde está desenvolvendo uma trilha formativa inédita no Sistema Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS), focada na capacitação de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) para o atendimento à população quilombola. Nesta terça-feira, dia dezoito de fevereiro, ocorreu em Brasília a primeira Oficina Pedagógica do Profi-Quilombo: Trilha Formativa de Saúde Quilombola no SUS.

A iniciativa oferecerá três modalidades de capacitação: um curso autoinstrucional introdutório sobre saúde quilombola e dois cursos tutoriados. O primeiro abordará a elaboração de planos de ação voltados à atenção integral à saúde quilombola, enquanto o segundo tratará da gestão da Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ).

Destinada a trabalhadores, gestores, pesquisadores do SUS e lideranças quilombolas, a trilha formativa será coordenada pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com o Ministério da Saúde, UNA-SUS e Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). Essa iniciativa integra o eixo de gestão do trabalho e educação na saúde quilombola, previsto na PNASQ.

A primeira Oficina Pedagógica do Profi-Quilombo teve como objetivo discutir e qualificar a proposta da trilha formativa. A coordenadora-geral de Ações Estratégicas de Educação na Saúde, Érika Almeida, destacou a importância da inovação na abordagem e nas ferramentas educacionais. “Queremos ampliar o acesso à capacitação, garantindo que mais pessoas sejam beneficiadas”, afirmou.

Durante a mesa redonda do evento, a doutora em sociologia Givânia Maria da Silva, integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE) e uma das fundadoras da Conaq, abordou a trajetória de resistência da população quilombola no Brasil e sua inclusão nas políticas públicas. “Este é um momento histórico. Pela primeira vez, em trinta anos, participo de uma reunião no Ministério da Saúde dedicada exclusivamente à saúde quilombola”, destacou.

A professora Joilda Silva Nery, da UFBA, apresentou o projeto Saúde e Vida de Comunidades Quilombolas na Bahia e Sergipe, ressaltando a importância de considerar as especificidades da população quilombola na oferta de serviços de saúde. Já o professor Hilton Pereira da Silva, da Universidade Federal do Pará (UFPA), discutiu a situação de saúde das comunidades quilombolas e a necessidade de aprofundamento das políticas públicas. Ele enfatizou que os indicadores epidemiológicos da população negra continuam apresentando desigualdades, reforçando a necessidade de políticas específicas como a PNASQ, que está em consulta pública até trinta e um de março na Plataforma Participa Mais Brasil.

O evento contou com a presença de representantes do UNA-SUS e de diversas áreas do Ministério da Saúde, incluindo as Assessorias de Equidade Racial em Saúde e de Equidade do Gabinete da Secretaria-Executiva. Também participaram membros da Coordenação de Atenção à Saúde da População Negra, do Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde (Deppros), do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Desmad), do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (Dvsat), da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) e da Coordenação-Geral de Ações Estratégicas de Educação na Saúde do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (Deges).

A implementação do Profi-Quilombo representa um avanço na qualificação dos profissionais de saúde para atender melhor a população quilombola, respeitando suas especificidades e fortalecendo a equidade no SUS. Com essa trilha formativa, o Ministério da Saúde busca ampliar o acesso à capacitação, promovendo uma assistência mais qualificada e inclusiva para as comunidades quilombolas em todo o Brasil.

Foto: Waleska Barbosa/MS


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