O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na terça-feira com três ex-ministros da articulação política de seu governo: José Múcio, atual ministro da Defesa, Jaques Wagner, líder do governo no Senado, e Walfrido Mares Guia, que atualmente atua no setor privado. O encontro ocorreu em meio à busca por um substituto para Alexandre Padilha no comando da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), após sua nomeação para o Ministério da Saúde.

Aliados do presidente negam que a sucessão na SRI tenha sido o foco da reunião, destacando que o encontro foi apenas um momento de confraternização entre amigos e antigos colaboradores. No entanto, a escolha do novo ministro da SRI segue indefinida, com nomes do PT e do Centrão surgindo como opções. Uma decisão definitiva, segundo interlocutores do governo, deve ser tomada somente após o carnaval.

Dentro do PT, os cotados para o cargo incluem o líder do governo na Câmara, José Guimarães, o líder no Senado, Jaques Wagner, e a presidente do partido, Gleisi Hoffmann. Já entre os nomes de outras legendas, figuram Isnaldo Bulhões (MDB-AL), Antonio Brito (PSD-BA) e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos-PE).

Jaques Wagner ocupou o cargo de ministro da SRI em 2005, em meio às denúncias do mensalão. Walfrido Mares Guia assumiu a pasta em 2007, sendo sucedido por José Múcio, que permaneceu no posto até 2009. Com a mudança no modelo das emendas parlamentares, que agora são impositivas, o papel do ministro da SRI ganhou ainda mais relevância, exigindo maior diálogo com o Congresso.

“Sem o controle sobre as emendas, o trabalho do ministro da SRI se tornou mais intenso. É fundamental manter um canal aberto e constante de comunicação com os parlamentares, explicando o que cada ministério está fazendo”, afirmou Walfrido Mares Guia. Segundo ele, o cargo exige um perfil que priorize o diálogo e a escuta.

Para Mares Guia, o essencial na escolha do novo ministro da SRI não é o partido ao qual pertence, mas sim sua capacidade de ouvir e articular consensos. “O diálogo consiste em ouvir o outro, compreender sua posição e apresentar argumentos. Apenas expor sua ideia sem considerar a do outro não é diálogo”, concluiu o ex-ministro.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

 


Avatar

administrator