O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, declarou nesta quarta-feira, 5, que Donald Trump “mente novamente” ao afirmar que os Estados Unidos estão em processo de recuperar o Canal do Panamá. Segundo Mulino, essa questão não foi discutida nas conversas bilaterais entre os dois países.
“O presidente Trump mente novamente. O Canal do Panamá não está em processo de recuperação”, escreveu o líder panamenho na plataforma X. Ele fez a declaração um dia após Trump reafirmar, em mensagem ao Congresso dos Estados Unidos, que sua administração retomaria o controle da via marítima inaugurada em 1914 e entregue ao Panamá em 1999.
Trump afirmou que, para fortalecer a segurança nacional, os Estados Unidos já começaram a recuperar o canal. Anteriormente, ele havia mencionado que não descartaria o uso da força para reassumir o controle da passagem estratégica entre o oceano Pacífico e o Atlântico.
“Rechaço, em nome do Panamá e de todos os panamenhos, essa nova afronta à verdade e à nossa dignidade como nação”, declarou Mulino. Ele reforçou que a cooperação entre os dois governos se baseia em interesses mútuos e não inclui qualquer tentativa de recuperação do canal.
Trump argumentou que há interferência chinesa na administração da via, pois os portos nos acessos ao canal são operados desde 1997 pela empresa Hutchison, de Hong Kong. Sob forte pressão do ex-presidente americano, a companhia anunciou na terça-feira que concordou em ceder sua participação na operação do canal e em outras instalações portuárias a um consórcio dos Estados Unidos.
O governo do Panamá emitiu um comunicado afirmando que essa transação é um acordo global entre empresas privadas, baseado em interesses comerciais. No entanto, a controladoria panamenha seguirá com uma auditoria sobre a subsidiária da Hutchison, que opera os portos de Balboa e San Cristóbal.
Especialistas apontam que a decisão da empresa de Hong Kong pode servir como uma solução para a disputa entre os Estados Unidos e o Panamá. No entanto, Trump reafirmou ao Congresso seu desejo de restaurar o canal sob controle americano.
Paralelamente, a Suprema Corte do Panamá avalia duas ações de nulidade contra o contrato de concessão à Hutchison, assinado em 1997 e prorrogado por mais 25 anos em 2021.
Foto: Arnulfo Franco

