O senador Romário (PL-RJ), relator da CPI da Manipulação de Jogos, afirmou nesta terça-feira (18) que a comissão conseguiu identificar um padrão criminoso na atuação junto a atletas e clubes do futebol brasileiro. O esquema envolve o recrutamento de jogadores com baixos salários, promessas de contratos internacionais e contatos com dirigentes de clubes que necessitam de investimentos.
Romário apresentou o relatório final, que pede o indiciamento de suspeitos e sugere novas legislações. O documento será encaminhado a órgãos relacionados à regulação das apostas esportivas. A votação do texto está marcada para esta quarta-feira (19), às 14h30.
O senador destacou a importância da cooperação internacional, uma vez que a manipulação de jogos tem alcance transnacional. Segundo ele, apesar dos patrocínios de empresas de apostas aos times brasileiros, há impactos negativos na economia popular, inclusive entre beneficiários do Bolsa Família.
“O futebol brasileiro enfrenta um momento delicado e preocupante, no qual sua integridade é questionada. Precisamos reforçar o combate à manipulação”, ressaltou Romário.
O presidente da CPI, senador Jorge Kajuru (PSB-GO), elogiou Romário, chamando-o de “ser humano raro e homem público irretocável”. Ele destacou que o relator fez um resumo de todas as audiências da comissão.
Kajuru também enfatizou que a CPI foi essencial para a prisão do empresário William Pereira Rogatto, que admitiu à comissão ter manipulado jogos de futebol no Brasil e lucrado cerca de R$ 300 milhões com rebaixamentos de clubes. Rogatto foi preso em Dubai, nos Emirados Árabes, em novembro de 2024, mas sua extradição ainda não foi autorizada.
O vice-presidente da CPI, senador Eduardo Girão (Novo-CE), elogiou o relatório, mas criticou a omissão de temas relevantes. Ele questionou a ausência de referência ao deputado Felipe Carreras (PSB-PE), acusado de solicitar R$ 35 milhões ao presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias, Wesley Cardia, para proteger casas de apostas no Congresso.
“Não podemos ignorar essa grave denúncia. O silêncio nesse aspecto do relatório precisa ser reavaliado”, disse Girão, sugerindo a inclusão de um pedido de investigação contra Carreras. Romário rejeitou a sugestão, mas garantiu que o caso foi citado no relatório.
Outro ponto criticado por Girão foi a nomeação de Geovanni Rocco como Secretário Nacional de Apostas Esportivas do Ministério da Fazenda. Segundo ele, Rocco já atuou como lobista do setor, o que representaria um “flagrante conflito de interesses”.
Ao fim da reunião, Girão solicitou a votação de dois requerimentos: um para convocar Felipe Carreras (REQ 26/2024) e outro para promover uma acareação entre José Francisco Cimino Manssur, ex-assessor especial do Ministério da Fazenda, e Wesley Cardia (REQ 103/2024).
Em depoimento à CPI, Manssur afirmou que Cardia relatou um suposto pedido de propina por membros da CPI das Apostas Esportivas da Câmara dos Deputados, mas disse não poder confirmar a veracidade da informação.
Kajuru informou que solicitou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uma extensão do prazo da CPI para atender aos requerimentos pendentes, mas o pedido foi negado. Um acordo determinou que a CPI encerre seus trabalhos com a votação do relatório final.
Diante da insistência de Girão, os requerimentos foram votados e resultaram em empate. Kajuru, como presidente da CPI, deu o voto de minerva e rejeitou os pedidos de Girão.
“Eu entendo a questão do prazo, mas esta CPI poderia ter um final melhor”, lamentou Girão.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

