O Ministério Público Federal iniciou uma investigação para apurar o crescimento excessivo de algas no Rio Paranaíba, na região de Cachoeira Dourada, em Minas Gerais. O fenômeno tem causado prejuízos ao turismo local, dificultando o acesso à orla para banho e navegação, além de provocar mau cheiro.

De acordo com a denúncia recebida, o problema teve início nos últimos meses de dois mil e vinte e três, período marcado por calor intenso e chuvas frequentes. Inicialmente tratado como algo passageiro, o quadro se agravou e já resultou na morte de aproximadamente três toneladas de peixes. Cidades vizinhas também têm enfrentado efeitos semelhantes.

Após receber os relatos, o Ministério Público enviou ofícios ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, à Superintendência Regional de Meio Ambiente e à Secretaria de Meio Ambiente de Cachoeira Dourada. As autoridades ambientais foram questionadas sobre a possível ocorrência de eutrofização, que é o excesso de nutrientes na água, causando a proliferação de algas.

A Enel Green Power, responsável por uma usina próxima ao local, informou realizar monitoramentos constantes, sem identificar alterações relevantes na qualidade da água. No entanto, relatou a presença da espécie Egeria densa em alguns pontos do rio. Dados técnicos apontaram que, apesar de a maioria dos parâmetros se manter dentro dos limites estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente, foram registrados níveis elevados de coliformes termotolerantes, o que indica possível contaminação fecal e riscos à saúde.

Uma audiência promovida pelo Ministério Público em vinte e oito de fevereiro reuniu autoridades municipais, ocasião em que foram discutidas possíveis causas do fenômeno. Entre os fatores apontados estão o despejo de esgoto, resíduos da piscicultura, derramamento de óleo, uso de agrotóxicos e liberação de vinhaça.

O procurador responsável pelo caso destacou que esses fatores estão presentes na região, conhecida por suas atividades agrícolas, barragens, piscicultura e presença industrial. Diante do quadro, o Ministério Público adotou uma série de providências.

O Comitê de Bacias do Paranaíba foi acionado para acompanhamento técnico. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e a Superintendência Regional de Meio Ambiente devem investigar as causas da eutrofização. Às empresas Enel e Bayer Brasil foi solicitado que realizem estudos técnicos. Municípios da região foram questionados sobre o lançamento de esgoto no rio. Também foi acionado o Laboratório de Nanobiotecnologia da Universidade Federal de Uberlândia. Peritos do Ministério Público atuarão na identificação das causas e na proposição de medidas para mitigar os impactos.

 

 

Foto: Prefeitura de Cachoeira Dourada