Aliados do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) já traçam previsões para o retorno dele ao Brasil. Após anunciar o afastamento do mandato na semana passada, alegando perseguição do Judiciário, pessoas próximas ao parlamentar acreditam que ele só voltará ao país em julho ou agosto de 2026, às vésperas das eleições. A expectativa é que Eduardo dispute uma vaga ao Senado por São Paulo ou componha uma chapa presidencial apoiada pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Internamente, a avaliação é que um retorno antecipado poderia dar a impressão de que ele “blefou” ao se licenciar e permanecer nos Estados Unidos. Por outro lado, aliados enxergam vantagens em manter Eduardo fora do Brasil nesse momento. Ao se afastar das polêmicas do Congresso e assumir o papel de interlocutor da direita internacional, ele evitaria desgaste político e poderia ganhar fôlego junto ao eleitorado conservador — sobretudo enquanto Jair Bolsonaro se aproxima do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode torná-lo réu por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.
Na última semana, Eduardo anunciou sua licença da Câmara por um período inicial de quatro meses. Em seguida, declarou que não via “a mínima possibilidade” de retornar ao Brasil em breve, mesmo após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ter se manifestado contra a apreensão de seu passaporte — motivo alegado por ele para deixar o país. O caso foi arquivado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Jair Bolsonaro, por sua vez, afirmou que, se o filho pedisse asilo, “Trump daria na hora”.
Em entrevista à Revista Oeste, Eduardo reafirmou sua decisão de permanecer nos Estados Unidos: “Não há a mínima possibilidade de eu voltar ao Brasil, não é um lugar seguro para fazer oposição, mesmo com o meu passaporte”.
O movimento do deputado surpreendeu parte do Congresso, mas é visto por bolsonaristas como mais uma ação articulada diante do avanço dos inquéritos no STF. Na semana passada, Jair Bolsonaro liderou um ato esvaziado em Copacabana, no Rio, pedindo anistia para os condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro.
Segundo aliados, Eduardo deve continuar nos Estados Unidos para dialogar com integrantes do entorno de Donald Trump e pressionar o Judiciário brasileiro por meio de críticas internacionais ao ministro Alexandre de Moraes, a quem acusa de abuso de autoridade.
Mesmo licenciado, Eduardo mantém o mandato — apenas o salário é suspenso. Jair Bolsonaro afirmou que recebeu pedidos para que o filho permaneça fora do país e que está disposto a custear sua permanência no exterior.
Foto: Cristiano Mariz

