O prefeito do Recife, João Campos (PSB), prepara-se para assumir a presidência nacional do PSB em maio, cargo que será utilizado como ferramenta estratégica para consolidar sua influência política em Pernambuco e se contrapor à governadora Raquel Lyra (PSD) nas eleições estaduais de 2026. A movimentação ocorre logo após a filiação da governadora ao PSD, partido que, sob a liderança de Gilberto Kassab, promete forte estrutura para viabilizar a reeleição dela.

Aliados de João Campos revelam que a presidência do partido será usada para fortalecer o PSB no estado, intensificando articulações nacionais que beneficiem a legenda localmente. A meta do prefeito é, mesmo sem anunciar abertamente uma candidatura ao governo estadual, pavimentar o caminho para uma eventual disputa contra Raquel Lyra. Com a presidência partidária, Campos ampliará sua presença em Pernambuco, especialmente no interior, com agendas que devem começar no dia 30 de março, em Afogados da Ingazeira, tradicional reduto socialista.

A estratégia de João Campos também envolve garantir o protagonismo da ala pernambucana dentro do PSB. Atualmente, o partido já tem forte influência do estado, com seu irmão, o deputado Pedro Campos, como líder da legenda na Câmara dos Deputados em 2025. Ao assumir o comando nacional, João passa a ter peso decisivo nas negociações de alianças e candidaturas em outras regiões, o que poderá ser trocado por apoio a seu projeto local.

Entre os partidos considerados essenciais para uma eventual chapa majoritária liderada por João Campos em 2026 estão o PT, o MDB e o União Brasil. O prefeito já conversou com lideranças dessas siglas, sinalizando que ainda não tomou uma decisão sobre disputar o governo estadual, mas elas avaliam que uma definição deve ocorrer até janeiro de 2026, para que o calendário eleitoral seja respeitado. Se decidir pela candidatura, Campos terá de renunciar à Prefeitura do Recife até abril do ano que vem.

A aliança com o PT é tida como central para o projeto do PSB. Campos pretende reforçar a parceria entre os dois partidos, especialmente na reeleição do presidente Lula, com o compromisso de manter o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, como companheiro de chapa. A continuidade de Alckmin na vice também é uma forma de assegurar o protagonismo do PSB no cenário nacional.

Internamente, a avaliação entre aliados de João Campos é que, com a aliança PSB-PT fortalecida, dificilmente Lula subiria num palanque de Raquel Lyra em Pernambuco. Embora a governadora não tenha se posicionado oficialmente sobre as eleições de 2026, integrantes de seu grupo político não descartam um eventual apoio à reeleição de Lula. No entanto, apontam que, no cenário atual, o presidente enfrenta rejeição significativa no estado, o que tornaria esse apoio improvável.

O PT, por sua vez, tem como principal prioridade local a reeleição do senador Humberto Costa. Embora o partido ainda não tenha declarado apoio a João Campos ou Raquel Lyra, sua relação com o PSB é mais estreita: participa da gestão da prefeitura do Recife com dois secretários. Na Assembleia Legislativa, no entanto, os deputados petistas costumam votar alinhados ao governo estadual, comandado por Raquel Lyra.

João Campos também aposta na aproximação com o MDB. Após um período de aliança com Raquel Lyra, o partido tem se reaproximado do prefeito do Recife. Caso a sigla declare apoio ao PSB em Pernambuco, João poderá retribuir com apoio em outros estados, em articulações para o Senado ou governos estaduais, utilizando sua posição nacional para negociar espaços.

No campo adversário, a governadora Raquel Lyra saiu fortalecida com sua filiação ao PSD. Gilberto Kassab prometeu oferecer o teto do fundo eleitoral permitido por lei para financiar sua campanha de reeleição. Além disso, o partido foca na formação de chapas fortes para deputado federal no estado, estratégia vista como forma de atrair parlamentares aliados de João Campos com bases eleitorais consolidadas.

Um dos desafios para Campos será a federação que está sendo discutida entre PP e União Brasil. Caso os dois partidos fechem acordo, precisarão atuar como uma única legenda por quatro anos, o que criará dificuldades no estado. Em Pernambuco, o PP é liderado por Eduardo da Fonte, aliado de Raquel Lyra e possível candidato ao Senado por sua chapa. Já o União Brasil é presidido por Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, que almeja disputar o Senado numa coligação liderada por João Campos.

Outro nome importante no xadrez eleitoral é o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos). O partido é tido como um dos que mais tendem a apoiar João Campos, e Silvio também mira uma vaga no Senado. Assim, a disputa pela vaga única no Senado pode se acirrar, com três nomes competitivos: Miguel Coelho, Humberto Costa e Silvio Costa Filho.

Enquanto isso, Raquel Lyra, recém-filiada ao PSD, tirou duas semanas de férias. Antes disso, intensificou ações do governo estadual em áreas como infraestrutura viária, abastecimento de água e programas sociais. A movimentação indica que a governadora já se prepara para a disputa de 2026, mesmo sem ter oficializado sua candidatura à reeleição. O embate entre ela e João Campos, caso se confirme, promete ser um dos mais relevantes da política nordestina no próximo ciclo eleitoral.

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil


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