A advogada Janaina Paschoal classificou como uma “demonstração de respeito” ao Supremo Tribunal Federal (STF) a presença inédita do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no julgamento da Primeira Turma da Corte, nesta terça-feira, 25. O colegiado analisa se aceita a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), tornando Bolsonaro e aliados réus por participação em uma trama golpista.

Professora da Universidade de São Paulo (USP) e vereadora em São Paulo, Janaina foi uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em conversa com a “Coluna do Estadão”, ela disse que a ida de Bolsonaro à Corte simboliza respeito ao Judiciário, ainda que discorde do processo: “Direito e demonstração de respeito à Corte”, declarou.

Bolsonaro surpreendeu até aliados ao aparecer no auditório da Primeira Turma minutos antes do início da sessão, sentando-se na primeira fileira, ao lado dos advogados. Mais cedo, em mensagens de WhatsApp, ele havia criticado o julgamento com termos como “aberração jamais vista”, “vergonha” e “total cerceamento da defesa”.

Questionada sobre as falas do ex-presidente, Janaina afirmou que o tom das críticas não ultrapassou o que foi dito por petistas durante o julgamento do mensalão. “As críticas dele não foram mais duras que as dos petistas ao julgamento do mensalão, inclusive com referências pesadas ao ministro relator, Joaquim Barbosa.

O advogado Renato Ribeiro de Almeida, doutor em Direito do Estado pela USP, considerou a presença de Bolsonaro normal, lembrando que a sessão é pública: “Na condição de cidadão, ele pode acompanhar. Isso não interfere na decisão dos ministros.” O julgamento envolve ainda outros sete acusados, incluindo ex-ministros e militares.

Foto: Rosinei Coutinho/STF


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