O senador Eduardo Girão (Novo-CE) destinou integralmente seu salário referente ao mês de fevereiro à Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (Asfav), grupo que reúne parentes de pessoas presas por envolvimento nos atos golpistas ocorridos em Brasília, em 2023. Segundo o parlamentar, a decisão foi motivada pela baixa produtividade do Senado no mês, que teve apenas quatro sessões, sendo uma deliberativa. Para ele, o período teve poucas entregas à sociedade.
O salário bruto de um senador é de quarenta e seis mil e trezentos reais, com o valor líquido, após descontos, ficando em trinta e três mil e oitocentos reais. A associação escolhida, a Asfav, afirma reconhecer os atos de vandalismo praticados nas sedes dos Três Poderes, mas considera as penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desproporcionais, tratando os detidos como presos políticos.
Girão afirmou que a definição da entidade beneficiada foi feita por meio de consulta a seus seguidores nas redes sociais, com base no maior engajamento entre as opções sugeridas. Defensor da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o senador tem se destacado como um dos nomes mais atuantes da base bolsonarista no Congresso.
A Asfav, que ainda não está habilitada para receber recursos públicos via emendas parlamentares, recebeu com entusiasmo a doação. De acordo com o advogado Ezequiel Silveira, membro da associação, essa foi a primeira contribuição financeira vinda de um parlamentar. Apesar de ser uma entidade sem fins lucrativos, a Asfav não cumpre atualmente requisitos legais como ter mais de três anos de existência e estar qualificada pelo governo como organização de interesse público.
A prestação de contas da associação é feita semestralmente, por meio de vídeos no YouTube. No último relatório publicado, a entidade informou ter encerrado 2024 com saldo de seis mil e quatrocentos reais, utilizados para apoiar a defesa jurídica dos réus, prestar assistência às famílias e realizar eventos.
Um dos advogados ligados à Asfav, Sebastião Coelho, foi detido em flagrante no dia 25 de março por desacato ao STF. Ele tentou acompanhar presencialmente o julgamento que analisava a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros oito aliados. O acesso à sessão era restrito a advogados cadastrados previamente ou partes interessadas. Coelho se recusou a seguir para outra sala e, ao confrontar servidores, foi detido por ordem do presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso. Ele foi liberado após o registro do boletim de ocorrência. Circulou nas redes, de forma falsa, que a ordem de prisão teria partido do ministro Alexandre de Moraes.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

