Um bombardeio aéreo de Israel contra um subúrbio de Beirute, no Líbano, matou quatro pessoas nesta terça-feira (1º), incluindo um alto dirigente do Hezbollah. O ataque, que também deixou sete feridos, ocorreu por volta das 3h30 no horário local (21h30 de segunda-feira em Brasília), durante o feriado muçulmano do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã.
De acordo com as autoridades libanesas, esta foi a segunda ofensiva israelense na capital libanesa desde o início do cessar-fogo em novembro de 2023. O Ministério da Saúde do Líbano confirmou o número de vítimas.
O alvo da operação foi Hasan Bdair, identificado por Israel e pelo próprio Hezbollah como vice-diretor de Assuntos Palestinos da organização. Segundo o Exército israelense, Bdair estaria envolvido no planejamento de um ataque “significativo e iminente” contra civis israelenses, em coordenação com agentes do Hamas.
O Hezbollah, que é aliado do grupo palestino Hamas, afirmou que Bdair estava em casa com a família no momento do ataque e que seu filho também morreu na ofensiva. A organização convocou seus militantes para o funeral das vítimas.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, classificou o ataque como uma “violação da soberania” e pediu apoio internacional para conter os ataques israelenses. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, também denunciou a ação como uma violação flagrante do cessar-fogo firmado em 27 de novembro de 2023, após mais de um ano de conflito.
Parlamentares do Hezbollah alertaram que a paciência do grupo está se esgotando. “Cabe ao governo garantir a segurança dos libaneses”, declarou o deputado Ibrahim Musawi. Já Ali Ammar, também do Hezbollah, disse que o grupo tem limites diante das provocações.
Moradores da região bombardeada expressaram indignação e medo. “Agora qualquer um é alvo, jovem ou idoso”, lamentou Jamal Badreddine, de 67 anos, que vive a poucos metros do prédio atingido, cujos andares superiores foram totalmente destruídos.
Desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em 7 de outubro de 2023, o Hezbollah abriu uma frente contra Israel no sul do Líbano. As tensões escalaram em setembro de 2024, com uma ofensiva terrestre israelense que causou mais de 4.000 mortes no Líbano e deixou um milhão de pessoas deslocadas.
Em Israel, as autoridades contabilizam 78 mortes decorrentes do conflito com o Hezbollah, incluindo 48 soldados. Cerca de 60 mil israelenses foram forçados a deixar suas casas no norte do país, e metade ainda não retornou.
Pelo acordo de cessar-fogo, o Hezbollah deveria recuar ao norte do rio Litani e remover sua infraestrutura militar no sul. Apenas o Exército libanês e as forças de paz da ONU estão autorizados a operar na região. No entanto, Israel ainda mantém posições militares em cinco áreas estratégicas no sul do Líbano.
Foto: Ibrahim Amro

