A relação entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente com o ministro Alexandre de Moraes, pode se deteriorar ainda mais após sua participação em mais uma manifestação em defesa dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Depois de já ter se posicionado em Copacabana a favor da anistia dos envolvidos, Tarcísio deve repetir o tom em evento marcado para o próximo domingo (6), na Avenida Paulista, organizado por Jair Bolsonaro.
Na manifestação anterior, no Rio, Tarcísio chamou os réus de “inocentes que receberam penas desarrazoadas” e defendeu a anistia como instrumento de pacificação nacional. A avaliação dentro do STF é de que, ao repetir esse posicionamento, o governador não só mantém o desgaste com a Corte, como pode ampliá-lo.
Apesar da expectativa de uma possível moderação, após a revisão do caso de Débora Rodrigues — a cabeleireira que pichou com batom uma estátua do STF e teve sua prisão convertida em domiciliar por Moraes —, a tendência é de que Tarcísio adote novamente um discurso alinhado ao de Bolsonaro. Aliados do governador entendem que uma fala mais branda poderia ser vista como traição pelo ex-presidente, que lidera o ato.
O próprio Tarcísio, segundo interlocutores, já expressou em conversas reservadas críticas ao Supremo, tanto em relação às penas aplicadas aos condenados do 8 de janeiro quanto em outros temas sensíveis.
Ministros da Corte, incluindo Moraes, reprovaram publicamente o discurso feito por Tarcísio no Rio. Eles destacam que, no passado, recorreram ao governador para conter Bolsonaro e elogiaram sua postura institucional. Agora, porém, temem que o ex-ministro da Infraestrutura atue como agente de radicalização em vez de moderação.
Foto: Mônica Andrade/Governo do Estado de SP

