O novo prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), tomou posse de forma definitiva na manhã desta quinta-feira (4), durante uma cerimônia marcada por homenagens ao ex-prefeito Fuad Noman (PSD), falecido em 26 de março, vítima de um câncer. Em meio ao clima solene, Damião também teve de lidar com a repercussão do afastamento de seu secretário de Educação, Bruno Barral, determinado pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Overclean.
Durante a solenidade, o agora prefeito comentou, de forma firme, a situação de Barral, afastado após ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal. “Parece que é um processo envolvendo projetos na Bahia, em Salvador, não a Secretaria de Educação de Belo Horizonte. Mas, obviamente, ninguém vai passar a mão na cabeça de secretário em Belo Horizonte. Eu não vou passar”, afirmou Damião.
Pouco após assumir o cargo, o novo chefe do Executivo participou de uma reunião de prestação de contas, onde destacou avanços na área da educação — setor sob comando de Barral desde abril de 2023 —, mas não mencionou o secretário afastado.
Indicado pela direção nacional do União Brasil, Barral foi escolhido com foco nas articulações para as eleições municipais de 2024. Entretanto, ele se tornou um dos alvos centrais da terceira fase da Operação Overclean, que investiga um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro com atuação nacional. Em sua residência, a PF encontrou R$ 120,8 mil em dinheiro vivo, em moedas estrangeiras e reais. As investigações revelam ligação próxima entre Barral e o empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, considerado peça-chave no esquema criminoso.
A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio de nota oficial, informou ter sido notificada da decisão do STF e garantiu que irá cumpri-la integralmente.
Durante a solenidade, Damião também anunciou que irá se afastar por uma semana para cumprir agenda oficial no Peru. Durante esse período, quem assumirá o comando da prefeitura será o presidente da Câmara Municipal, Juliano Lopes (Podemos). A escolha chama atenção por conta do histórico de divergências entre ambos. Damião apoiou a candidatura de Bruno Miranda (PDT) à presidência da Câmara, que acabou derrotado pelo grupo de Marcelo Aro (PP), atual secretário estadual da Casa Civil e responsável pela articulação da eleição de Lopes. O gesto de Damião é visto como um sinal de distensão com o grupo de Aro.
Como uma das primeiras medidas de sua gestão, Damião anunciou que enviará à Câmara Municipal um projeto para alterar o nome da Praça da Independência, localizada no centro da capital mineira, para Praça Fuad Noman. Ele também declarou que pretende instalar no local uma estátua em homenagem ao antecessor, com sua marca registrada: os suspensórios.
O governador Romeu Zema (Novo) participou da posse e, em discurso, defendeu a construção de uma relação de diálogo entre o governo estadual e a nova administração municipal.
Fotos: Tatiana Francisca/CMBH

