Impulsionada pelo avanço de algumas safras agrícolas e pelo aumento nas vendas de carnes, café e minério de cobre, a balança comercial brasileira apresentou forte recuperação em março. O país fechou o mês com superávit de US$ 8,154 bilhões, informou nesta sexta-feira (04/04) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Esse é o segundo melhor resultado para meses de março desde o início da série histórica, iniciada em 1989.
O saldo positivo só foi superado pelo de março de 2023, quando o superávit foi de US$ 10,751 bilhões. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve crescimento de 13,8%. As exportações totalizaram US$ 29,177 bilhões, aumento de 5,5% em comparação a março de 2024. Já as importações somaram US$ 21,023 bilhões, com crescimento de 2,6%.
O bom desempenho das exportações teve como destaque o início da colheita da soja e do milho, além da alta nos preços do café. Também contribuíram as maiores vendas externas de carne bovina, celulose e minério de cobre, que compensaram a queda nos preços médios de outros produtos.
Nas importações, houve crescimento na aquisição de máquinas, motores, componentes para veículos, medicamentos, adubos e fertilizantes. O segmento de máquinas e motores liderou as compras, com alta de 45,9% sobre março de 2024.
O volume de mercadorias exportadas aumentou 5%, reflexo da entrada das novas safras no mercado. Os preços médios dos produtos vendidos subiram apenas 0,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No lado das importações, a quantidade adquirida subiu 4,2%, indicando demanda interna aquecida, enquanto os preços recuaram 1,5%, influenciados pela queda no valor de commodities no mercado internacional.
No setor agropecuário, o volume exportado subiu 10,8%, com aumento de 4,3% no preço médio. Já a indústria de transformação registrou crescimento de 9% na quantidade exportada, mas os preços médios caíram 0,9%. Esse desempenho reflete uma melhora da economia argentina, principal destino de bens industrializados brasileiros.
Por outro lado, a indústria extrativa teve queda expressiva: o volume de exportações recuou 10,6%, especialmente por causa da manutenção de plataformas de petróleo, e os preços caíram 4,9%.
O MDIC também atualizou suas projeções para o desempenho da balança comercial em 2025. A estimativa atual é de superávit de US$ 70,2 bilhões, o que representa queda de 5,4% em relação a 2024. Em janeiro, o governo havia divulgado uma faixa de previsão entre US$ 60 bilhões e US$ 80 bilhões. A próxima revisão está programada para julho.
De acordo com o ministério, as exportações devem crescer 4,8% neste ano, atingindo US$ 353,1 bilhões. As importações devem aumentar 7,6%, alcançando US$ 282,9 bilhões. Entretanto, essas estimativas podem ser revistas, já que ainda não incorporam os efeitos da alta de tarifas anunciada por Donald Trump nem das possíveis retaliações comerciais da China.
Apesar do recuo nas projeções oficiais, o mercado financeiro continua mais otimista. O boletim Focus, elaborado semanalmente pelo Banco Central com instituições financeiras, prevê superávit de US$ 75 bilhões para o ano de 2025.
Foto: Divulgação/Porto de Santos

