Aliados do deputado Arthur Lira (PP-AL) veem na relatoria do projeto de reforma do Imposto de Renda uma nova oportunidade de protagonismo político para o ex-presidente da Câmara, em meio às incertezas sobre a formação da federação entre PP e União Brasil. O plano inicial era que Lira presidisse a federação, mas impasses regionais dentro do União têm dificultado o avanço da negociação, gerando apreensão entre os líderes do Progressistas.

Lira, que pretende disputar uma vaga no Senado em 2026, busca se manter em evidência no cenário nacional. Nas últimas semanas, foram cogitadas outras possibilidades para reforçar seu capital político, como assumir o Ministério da Agricultura, presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara ou relatar o Orçamento de 2025. Nenhuma dessas alternativas se concretizou, fazendo com que a relatoria do projeto do IR ganhasse status de peça-chave para seus planos.

O texto, que prevê a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, é uma das prioridades do governo Lula neste ano. O atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), designou Lira como relator, gesto que foi interpretado como um sinal de prestígio político e influência contínua do ex-presidente da Casa. Para aliados, a posição dará a Lira instrumentos de pressão e uma relação estratégica com o Palácio do Planalto.

Em paralelo, o presidente do PP, Ciro Nogueira, já anunciou a intenção de federar com o União Brasil, mas o processo encontra obstáculos locais, especialmente em estados como Acre e Paraíba. Apesar de negociações avançadas, os líderes ainda não definiram quem controlará os diretórios regionais da futura federação.

Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados


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