Com o PSDB mergulhado em indefinições e diante de articulações para uma possível fusão com outras legendas, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, vê sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026 cercada de incertezas. Em busca de alternativas para viabilizar seu projeto político, o tucano tem se aproximado do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que também figura como possível nome na disputa pelo Palácio do Planalto.
Durante o Fórum da Liberdade, realizado em Porto Alegre na semana passada, Leite fez um gesto público de aproximação com Zema e sinalizou disposição para abrir mão da cabeça de chapa, caso o mineiro demonstre maior viabilidade eleitoral. “Se for contigo, estamos juntos. Vamos entender quem tem capacidade eleitoral, política e circunstancial para levar essa agenda adiante. O governador Zema é, sem dúvida, um desses nomes”, declarou o governador gaúcho, destacando a afinidade programática entre ambos.
A fala foi interpretada nos bastidores como um movimento claro em direção a uma composição conjunta. Desde então, aliados de Zema passaram a considerar abertamente a formação de uma chapa entre os dois governadores para as eleições do ano que vem.
Apesar do entusiasmo, Leite enfrenta obstáculos internos. Após vencer as prévias do PSDB em 2021, o governador viu o partido encolher nas eleições seguintes. Agora, a legenda passa por um processo de reestruturação, que inclui a possibilidade de fusão com siglas de centro como Cidadania, MDB e Podemos. A costura final, porém, ainda é incerta, e pode não incluir o projeto presidencial de Leite. O próprio governador admite a hipótese de deixar o PSDB para manter viva sua pretensão de concorrer ao Planalto.
“Estabelecemos um prazo até o fim de abril para termos uma posição conjunta do partido. Se ele vai se movimentar para fazer uma fusão, uma incorporação ou algum outro instrumento que lhe dê relevância. Estou acompanhando esses debates, e minha decisão individual será tomada depois disso”, afirmou Leite nesta semana.
Aliados próximos asseguram que a intenção de disputar a Presidência é “inegociável”. No entanto, diante dos obstáculos, o tucano também cogita uma candidatura ao Senado Federal como alternativa, caso o caminho à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mostre inviável.
Romeu Zema, por outro lado, atravessa um momento de maior estabilidade política. Em seu segundo mandato à frente de Minas Gerais, com apoio consolidado no Novo — partido do qual é a principal liderança nacional —, o governador mineiro conta com liberdade para planejar um salto à política nacional. Para o Novo, sua candidatura à Presidência é estratégica: além de ampliar a visibilidade da legenda, seria fundamental para garantir o cumprimento da cláusula de barreira.
O presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, tem reafirmado que Zema será o nome da sigla na eleição de 2026. Internamente, avalia-se que o governador tem um perfil atrativo para o eleitorado de direita, sobretudo por não ter integrado o núcleo mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que o posicionaria como alternativa viável para setores conservadores mais moderados.
Zema é o único governador do Novo em exercício e se tornou uma espécie de “vitrine” do partido. Em Minas, sua gestão é marcada por diretrizes liberais: corte de gastos, responsabilidade fiscal e valorização da iniciativa privada.
A relação entre Leite e Zema não é recente. Ambos são figuras centrais no Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), grupo formado por governadores que, desde 2024, manifesta interesse em construir um projeto presidencial único.
“Eles se respeitam e têm uma ótima relação desde o primeiro mandato. Está cedo para discutir nomes, mas o caminho é de alinhamento em torno de uma frente de governadores”, afirma o vice-governador de Minas, Mateus Simões (Novo).
Com informações de O Globo
Foto: Mauricio

