Uma operação conjunta de órgãos federais atua até esta quarta-feira (1º) no combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Vale do Javari, localizada no extremo oeste do Amazonas. A ação, iniciada em 24 de abril, acontece nas proximidades do rio Jandiatuba, área que abriga comunidades indígenas isoladas. Intitulada Operação Nidaid Isquim, a iniciativa já resultou na destruição de 16 dragas e outros equipamentos utilizados na extração ilegal de minérios.
A força-tarefa é composta por agentes da Polícia Federal (PF), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Frente de Proteção Etnoambiental Vale do Javari, vinculada à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Além da destruição de maquinário, são realizadas diligências para identificar os responsáveis pelo financiamento do garimpo e eventuais conexões com o crime organizado.
O principal objetivo da operação é proteger os territórios indígenas contra invasões e ameaças, sobretudo nas regiões onde há presença confirmada ou indícios de grupos indígenas isolados.
Com cerca de 8,5 milhões de hectares, o Vale do Javari é a segunda maior terra indígena do Brasil e concentra a maior população de indígenas isolados do mundo. A região ficou internacionalmente conhecida após os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorridos em 2022.
Além do Vale do Javari, a Funai também monitora a Terra Indígena Massaco, em Rondônia, onde foram registradas imagens inéditas de povos isolados em 2024. Segundo o órgão, há nove grupos isolados confirmados e outros cinco em análise.
Entre 2023 e agosto de 2024, as ações de combate ao garimpo ilegal na região resultaram em R$ 15 milhões em multas, destruição de 98 dragas, apreensão de 67 armas, 70 embarcações, animais silvestres e 322 toras de madeira.
Foto: Polícia Federal/Divulgação

