Apesar de ter anunciado sua saída da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a bancada do PDT na Câmara dos Deputados ainda mantém um cargo estratégico na estrutura do governo federal: uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal. Desde o ano passado, o partido ocupa a Vice-presidência de Pessoas do banco estatal, atualmente sob comando de Francisco Egídio Pelúcio Martins, indicado pela legenda. Procurada, a liderança do partido na Câmara não respondeu aos questionamentos sobre a permanência no posto.

Na ocasião da nomeação, o então líder do PDT na Câmara, deputado André Figueiredo (CE), justificou a indicação como uma conquista dentro do bloco parlamentar, em razão da escassez de espaços ocupados pelo partido no Executivo federal. A indicação de Pelúcio Martins foi feita dias antes da declaração pública de Figueiredo confirmando o movimento.

A cúpula da Caixa também é composta por outros quadros indicados por partidos do Centrão. O próprio presidente do banco, Carlos Vieira, é ligado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que participou diretamente das articulações para sua nomeação.

A decisão do PDT de deixar a base ocorreu na terça-feira, 6, poucos dias após a saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência. Lupi, que foi indicado pela sigla, pediu exoneração em meio à crise provocada pela descoberta de um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigado pela Polícia Federal. O atual ministro, Wolney Queiroz, também é filiado ao partido.

O líder da legenda na Câmara, Mário Heringer (MG), afirmou que o governo Lula deixou de oferecer “reciprocidade e respeito” e destacou: “As atitudes e as políticas do governo vão dizer se a gente pode ou não voltar”.

 

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil