A costura de um acordo interno garantiu a união da principal corrente do Partido dos Trabalhadores (PT) em torno da candidatura do ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, à presidência nacional da sigla. A articulação envolveu diretamente a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que assegurou a permanência de sua aliada, Gleide Andrade, na estratégica tesouraria do partido.

O posto, responsável pelo controle das finanças da legenda, vinha sendo disputado nos bastidores. Edinho desejava indicar um nome de sua confiança, mas recuou ao perceber que a união da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), responsável por cerca de 55% do diretório nacional, em torno de sua candidatura, teria mais peso político do que a indicação para o cargo.

Inicialmente, Gleisi também não demonstrava entusiasmo com o nome de Edinho. No entanto, após assumir a pasta de Relações Institucionais no governo federal, ampliou sua influência dentro do partido e passou a trabalhar pela unificação da corrente majoritária. A manutenção de Gleide Andrade no cargo de tesoureira foi considerada um gesto necessário para consolidar o consenso.

Com apoio da ministra, o prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente do PT, Washington Quaquá, desistiu da candidatura à presidência do partido, consolidando ainda mais a vantagem de Edinho.

Apesar das movimentações, as lideranças envolvidas negam que o acordo tenha envolvido distribuição de cargos. O acerto foi fechado no último dia para o registro de chapas que disputarão o Processo de Eleições Diretas (PED), mecanismo pelo qual os filiados escolhem a nova direção do PT.

“Ainda não há qualquer acordo em relação a cargos. O que há é o entendimento de que deve se constituir uma direção unitária, com a CNB tendo maioria e um núcleo dirigente sólido e politicamente capaz de reoxigenar o PT. Gleide foi uma boa tesoureira e não seria problema nenhum continuar”, afirmou Quaquá.

Além de Edinho, seguem na disputa o deputado federal Rui Falcão (SP), ex-presidente da sigla e integrante da corrente Novos Rumos, o dirigente Valter Pomar e Romênio Pereira, atual secretário de Relações Internacionais do partido.

O primeiro turno do PED está marcado para 6 de julho. Até lá, os candidatos poderão viajar com apoio logístico do partido, apresentando suas propostas e buscando alianças junto aos diretórios estaduais e municipais.

Fora da corrida nacional, Quaquá agora foca nas eleições internas no Rio de Janeiro, onde tenta consolidar sua influência. Ele lançou a candidatura de seu filho, Diego Zeidan, para a presidência estadual do PT, que enfrentará o deputado federal Reimont, apoiado por Lindbergh Farias. A disputa é vista como um reflexo direto das divisões internas do partido em nível nacional.

Foto: Roberto Stuckert

 

 


Avatar

administrator