Líderes da base do governo Lula articulam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) exclusiva do Senado para investigar o esquema de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A estratégia visa ampliar o controle sobre os trabalhos da investigação, em contraste com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) proposta pela oposição, que incluiria também deputados da Câmara.

Senadores aliados do governo argumentam que uma CPMI, com 60 parlamentares — metade titulares e metade suplentes —, seria numerosa demais e de baixa efetividade. Já uma CPI composta apenas por senadores teria entre 20 e 22 integrantes, permitindo, segundo eles, maior agilidade e governabilidade nos trabalhos.

A base governista no Senado afirma ter maioria suficiente para viabilizar o novo colegiado, sem dificuldade na coleta de assinaturas. A proposta deverá ser apresentada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), nos próximos dias.

Inicialmente, o governo tentou desarticular a CPMI liderada por Damares Alves (Republicanos-DF), pressionando parlamentares a retirarem suas assinaturas. No entanto, com o avanço da iniciativa oposicionista, a base reconhece que a instalação da comissão mista é praticamente inevitável. Como reação, avalia a instalação da CPI exclusiva como alternativa para manter influência sobre a condução das investigações no Congresso.

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

 

 


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