O ex-diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Saulo Moura da Cunha, declarou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a agência alertou o governo de transição, ainda em 2022, sobre a presença de pessoas com discursos extremistas nos acampamentos montados em frente a quartéis militares. O depoimento foi prestado nesta terça-feira (28), durante audiência no âmbito da ação penal que apura uma tentativa de golpe de Estado.

Segundo Cunha, os relatórios elaborados pela Abin foram entregues a integrantes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Polícia Federal (PF) que atuavam na equipe de transição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Encaminhamos relatórios sobre a presença de pessoas com discursos extremistas. Esses documentos foram entregues ao GSI e à PF durante o governo de transição”, afirmou.

Os relatórios não se limitavam ao acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, mas também abrangiam outras estruturas de grande porte, como as montadas no Rio de Janeiro.

Cunha esteve à frente da Abin nos dois primeiros meses de 2023, período em que a agência ainda aguardava a nomeação de sua nova liderança. Ele foi ouvido como testemunha de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

O ex-diretor também confirmou que a Abin emitiu diversos alertas ao governo federal sobre a preparação dos atos de 8 de janeiro. Ele ressaltou que, na véspera da invasão aos prédios dos Três Poderes, houve um contato direto com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal para reforçar os riscos identificados pela inteligência.

Foto: Cristiano Mariz

 

 


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