O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República em 2026, reagiu nesta sexta-feira (30 de maio) às críticas feitas pelo ex-prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, sobre a possibilidade de o governo brasileiro classificar facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em publicação na rede social X, Zema defendeu a medida como uma forma necessária e rigorosa de combate ao crime organizado.
A proposta de tipificação das facções como terroristas foi debatida em maio durante encontro entre o Ministério da Justiça e o chefe do Departamento de Estado dos Estados Unidos, David Gamble. Reportagem do jornal “Folha de São Paulo” indicou que a ideia teria sido inicialmente sugerida ao ex-presidente norte-americano Donald Trump pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Durante o 2º Seminário Internacional de Segurança Pública, Direitos Humanos e Democracia, realizado na quinta-feira (29), Bill de Blasio demonstrou preocupação com o possível uso político da medida. Segundo ele, “é perfeitamente possível que Trump utilize esse tipo de tipificação para fins políticos nefastos no Brasil. Se eu fosse brasileiro, estaria preocupado com o uso indevido dessa ferramenta jurídica para fins políticos”.
Zema, que está em El Salvador desde terça-feira (27), onde visita experiências de segurança pública do governo de Nayib Bukele, rebateu a crítica. Segundo ele, classificar o crime organizado como terrorismo representa uma mudança necessária de postura no combate às facções. “Fazer sempre a mesma coisa esperando resultado diferente é loucura. Já faz décadas que o Brasil tenta esse jeito frouxo de enfrentar o crime. E essas quadrilhas estão cada vez maiores”, afirmou.
Ao lado do secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, Zema visitou o Centro de Confinamento do Terrorismo, penitenciária de segurança máxima em Tecoluca, símbolo da política de Bukele, marcada por medidas de exceção adotadas desde 2022. O regime inclui prisões em massa sem necessidade de ordem judicial, criticado por organismos de direitos humanos.
A Anistia Internacional, por exemplo, denunciou em 2022 que o governo salvadorenho promoveu “milhares de detenções arbitrárias, violações ao devido processo legal, tortura, maus-tratos e ao menos 18 mortes sob custódia do Estado”.
Apesar da ênfase recente de Zema em segurança pública — área sensível ao eleitorado conservador —, os indicadores em Minas Gerais revelam alta preocupante. De acordo com o Atlas da Violência 2025, divulgado em 12 de maio, o estado registrou 2.795 homicídios em 2023, alta de 8,4% em relação a 2021, quando foram 2.577 assassinatos. Enquanto isso, o índice nacional caiu 4,3% no mesmo período.
Na tentativa de se posicionar como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, Zema tem intensificado sua retórica em torno da segurança pública. No mesmo dia em que anunciou a ida a El Salvador, ele publicou vídeo insinuando que o crime organizado não é combatido no Brasil porque “os criminosos muitas vezes estão dentro do governo”.
Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

