O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara dos Deputados, prestará depoimento nesta segunda-feira à Polícia Federal (PF), em Brasília, no inquérito que apura a atuação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Eduardo, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem articulado com autoridades norte-americanas a imposição de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em reação aos processos que o magistrado conduz contra integrantes da antiga gestão e aliados.
Lindbergh é o autor da representação que levou a Procuradoria-Geral da República (PGR) a solicitar a investigação. Segundo o parlamentar, há indícios de coação no curso do processo, tentativa de obstrução da Justiça e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Ele informou que entregará à PF vídeos e documentos com declarações recentes de Eduardo Bolsonaro feitas durante sua estadia nos EUA.
O depoimento está agendado para as 15h, na sede da PF. O inquérito foi instaurado pelo ministro Alexandre de Moraes, a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Desde fevereiro, Eduardo está nos Estados Unidos, licenciado do mandato, e tem defendido a adoção de medidas como o bloqueio de bens e contas de Moraes, além de restrições de visto para entrada em território americano.
Gonet mencionou no pedido ao STF diversas postagens e entrevistas em que Eduardo expõe sua articulação internacional. Segundo ele, há “tom intimidatório” nas manifestações, com “propósito de providência imprópria” para interferir no andamento da ação penal.
A PGR também destacou a “motivação retaliatória” do deputado contra autoridades do STF, da PF e do Ministério Público, estendendo as ameaças até a familiares desses agentes públicos.
A ofensiva internacional ganhou repercussão após o chefe do Departamento de Estado dos EUA, senador Marco Rubio, declarar na Comissão de Relações Exteriores do Congresso americano que há “grande possibilidade” de sanções contra Moraes. A fala veio em resposta ao deputado republicano Cory Mills, que mencionou suposta “perseguição política” da oposição no Brasil.
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

