Os bombardeios realizados pelos Estados Unidos provavelmente causaram danos considerados muito significativos às áreas subterrâneas da usina de enriquecimento de urânio de Fordow, no Irã. A instalação, que foi construída dentro de uma montanha para resistir a ataques, foi alvo de munições destruidoras de bunkers lançadas no último domingo, dia 22. Apesar da gravidade dos ataques, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou nesta segunda-feira que ainda não é possível avaliar a extensão real dos danos, pois as condições atuais impedem uma inspeção detalhada no local.
Durante uma reunião de emergência do Conselho de Governadores da AIEA, formado por 35 países, Grossi explicou que a agência não conseguiu retomar as inspeções presenciais no Irã desde que Israel iniciou seus ataques militares às instalações nucleares iranianas no dia 13 de junho. Segundo ele, as cargas explosivas empregadas pelos Estados Unidos são capazes de causar danos severos às centrífugas usadas no enriquecimento de urânio, que são extremamente sensíveis a vibrações. Grossi destacou que a combinação das armas utilizadas e a vulnerabilidade dos equipamentos indicam uma possibilidade concreta de que as salas subterrâneas tenham sido seriamente afetadas.
Além das possíveis destruições estruturais, outra preocupação da AIEA é o destino do estoque de urânio enriquecido mantido em Fordow. Segundo a agência, o local abrigava mais de 400 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza, um nível que, se elevado para cerca de 90%, é considerado grau militar. De acordo com os critérios da própria AIEA, esse volume, se enriquecido ao limite, seria suficiente para a produção de aproximadamente nove armas nucleares. O Irã, no entanto, mantém a posição de que seu programa nuclear é exclusivamente pacífico e que não tem a intenção de desenvolver armamentos nucleares.
Rafael Grossi relatou ainda que o Irã havia comunicado à AIEA, no dia 13 de junho, que pretendia adotar “medidas especiais” para proteger seus materiais e equipamentos nucleares. Essas salvaguardas fazem parte da supervisão prevista no Tratado de Não Proliferação Nuclear. Grossi respondeu ao governo iraniano no mesmo dia, reforçando que qualquer movimentação de material nuclear entre instalações dentro do país deve ser comunicada previamente à AIEA. Segundo ele, todas as medidas especiais tomadas pelo Irã precisam estar em conformidade com os compromissos internacionais assumidos.
Foto: Morteza Nikoubazl

