O conflito entre Irã e Israel chegou ao décimo primeiro dia nesta segunda-feira, dia 23, com Israel ampliando o escopo de seus ataques. Entre os alvos atingidos pelas Forças de Defesa de Israel estão a prisão de Evin, seis aeroportos no território iraniano, a instalação nuclear de Fordow e centros militares considerados estratégicos em Teerã, como a sede da Basij e o Corpo de Alborz. Fontes israelenses afirmaram que a ofensiva faz parte do esforço contínuo para enfraquecer a capacidade militar do Irã e garantir a segurança de Israel.
O sistema judiciário iraniano confirmou o ataque à prisão de Evin, mas garantiu que a situação no local está controlada. Enquanto os ataques israelenses prosseguem, o Irã mantém a ofensiva com mísseis e drones contra cidades israelenses. De acordo com autoridades iranianas, foi lançada a vigésima primeira onda de ataques contra Israel desde o início da guerra. As sirenes de alerta voltaram a soar em várias cidades israelenses ao longo do dia.
Diferentemente das ofensivas anteriores, que concentravam os ataques em Tel Aviv e Haifa, a nova onda ampliou o raio de ação e atingiu alvos em outras regiões estratégicas. Segundo o jornal iraniano Tehran Times, os ataques desta segunda-feira tiveram como foco Tel Aviv, Haifa, o norte de Haifa, Ascalão, Acre, Asdode, Safed, Laquis, ao sul de Tel Aviv, e Beit She’na.
A intensificação do conflito ocorre dias após os Estados Unidos bombardearem três instalações nucleares iranianas, gesto que provocou a promessa de retaliação por parte de Teerã. Além disso, o Irã considera fechar o Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% do petróleo mundial, o que poderia provocar um impacto econômico global significativo.
O analista militar e especialista em geopolítica Robinson Farinazzo afirmou que a situação econômica de Israel já demonstra sinais de fragilidade. Segundo ele, dezenas de milhares de israelenses tentam deixar o país e várias cidades no sul enfrentam cortes de eletricidade. Farinazzo avaliou que, apesar da intensidade das ações, o Irã ainda adota uma postura reativa no conflito. Para ele, uma estratégia mais proativa poderia causar maior pressão sobre Israel.
O historiador e especialista em conflitos armados Rodolfo Queiroz Laterza considera que o Irã enfrenta um dilema estratégico. Segundo ele, o fechamento do Estreito de Ormuz poderia gerar um grave choque na economia mundial, mas a alternativa de ampliar os ataques contra Israel e bases americanas no Oriente Médio também acarretaria riscos severos. Laterza alertou que, caso os ataques iranianos se intensifiquem, os Estados Unidos poderiam adotar medidas de retaliação com potencial de destruir a infraestrutura petrolífera e industrial de países do Golfo Pérsico, agravando a crise regional.
Foto: Forças de Defesa de Israel/Divulgação

