O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira (7) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a defesa pública de Jair Bolsonaro e os ataques ao Judiciário brasileiro. Lula afirmou que o Brasil é um país soberano e que não aceita interferência internacional. Além de divulgar uma nota oficial, ele também comentou o episódio no encerramento da reunião do Brics, no Rio de Janeiro.
“A defesa da democracia no Brasil é uma responsabilidade dos brasileiros. Somos um país soberano e não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Temos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei — sobretudo aqueles que atentam contra a liberdade e o Estado de Direito”, destacou Lula na nota oficial.
Em declaração pública no Rio de Janeiro, Lula reforçou: “Não vou comentar essa coisa do Trump e do Bolsonaro. Tenho coisas mais importantes para comentar do que isso. Esse país tem leis, regras e um dono chamado povo brasileiro, portanto dê palpite na sua vida, e não na nossa.”
O presidente brasileiro acrescentou: “Não queremos imperador. Somos países soberanos.”
A reação de Lula veio após Trump publicar em sua rede Truth Social que acompanha o que chamou de “caça às bruxas” contra Bolsonaro. Trump afirmou que o julgamento do ex-presidente brasileiro deveria ocorrer “nas urnas” e não na Justiça. “Ele não tem culpa de nada, exceto de ter lutado pelo povo. Conheci Jair Bolsonaro e ele era um líder forte, que realmente amava seu país — além de um negociador muito duro em questões comerciais. Sua eleição foi muito apertada e agora ele lidera nas pesquisas. Isso é apenas um ataque político, algo que eu conheço bem. Aconteceu comigo dez vezes”, escreveu Trump.
Bolsonaro foi declarado inelegível em 2023 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e responde a processos no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também reagiu. “Donald Trump está muito equivocado se pensa que pode interferir no processo judicial brasileiro. O presidente dos Estados Unidos deveria cuidar dos problemas do seu próprio país, que não são poucos, e respeitar a soberania do Brasil e o nosso Judiciário”, disse Gleisi.
O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, reforçou: “Este governo não aceita tutela, nem admite pressões externas que tentem ditar os rumos do país, e muito menos tolerará pressões indevidas contra nossas instituições democráticas, notadamente da nossa Suprema Corte, que tão bem tem servido à defesa da democracia e do estado de direito em nosso país.”
O deputado federal José Guimarães, líder do governo na Câmara, publicou: “Somos um país soberano com nossas leis e nossas instituições. Exigimos respeito.”
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) também comentou: “Fosse o Brics tão irrelevante, estaria Trump borrando as calças e acusando recebimento do encontro do grupo com 10% de tarifas adicionais?”
O senador Randolfe Rodrigues (AP), líder do governo no Senado, apenas republicou o comentário de Lula: “Dê palpite na sua vida, e não na nossa.”
Jair Bolsonaro, por sua vez, agradeceu a Trump pelas palavras: “O presidente Donald Trump é exemplo de fé e resiliência.”
Trump já havia feito outra publicação no domingo (6), afirmando: “Qualquer país que se alinhe às políticas antiamericanas do Brics será taxado com uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções a essa política.”
A declaração de Trump ocorreu após o Brics divulgar a “Declaração do Rio de Janeiro”, resultado da cúpula realizada no Rio de Janeiro. No documento, o bloco condena a “imposição de medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional”, mas não faz menção direta aos Estados Unidos.
“Trump deveria se preocupar com os seus próprios problemas”, reforçou Lula. “O Brasil tem autonomia para decidir seu futuro e o seu povo é quem manda neste país.”
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

