O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (9) um maior alinhamento entre os países do Cone Sul e os integrantes do Sudeste Asiático, destacando os potenciais econômicos dessa aproximação para o comércio global. A fala ocorreu durante a visita oficial do presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, ao Brasil, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, em Brasília.

De acordo com o Itamaraty, o encontro reforça a estratégia brasileira de priorizar a Ásia na política externa e fortalecer os laços com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco que reúne países como Indonésia, Vietnã e Filipinas. “A Asean é um bloco de 680 milhões de habitantes e tem experimentado crescimento acelerado e evolução tecnológica. Seu PIB, de US$ 4 trilhões, já é o quarto maior do mundo”, afirmou Lula. O presidente também confirmou presença na próxima cúpula da Asean, marcada para outubro, na Malásia.

Durante a reunião bilateral, Subianto convidou Lula para uma visita de Estado à Indonésia. A relação entre os dois países é classificada como parceria estratégica desde 2008, com cooperação nas áreas de energia, agricultura, educação, mineração e combate à pobreza. “Queremos ampliar ainda mais essa cooperação, especialmente em setores inovadores e produtivos”, disse o presidente brasileiro.

Na condição de presidente pro tempore do Mercosul, Lula sinalizou o interesse do bloco em negociar um acordo com a Indonésia. O país asiático é o quarto mais populoso do continente e, segundo o governo brasileiro, representa um parceiro promissor para ampliação das exportações nacionais. “Queremos facilitar o comércio de carne bovina brasileira, que pode contribuir para a segurança alimentar da Indonésia. Também conversamos sobre diversificar nosso intercâmbio nas áreas de aviação civil e produtos de defesa”, declarou Lula.

Em 2024, o comércio bilateral entre Brasil e Indonésia atingiu US$ 6,34 bilhões, com exportações brasileiras somando US$ 4,46 bilhões e importações de US$ 1,87 bilhão. A Indonésia já ocupa a quinta posição entre os principais destinos dos produtos do agronegócio brasileiro.

O Brasil também expressou interesse em aprofundar o diálogo com a Indonésia sobre minerais estratégicos essenciais para a transição energética. “O Brasil pode se inspirar no exemplo indonésio, especialmente na política de incentivo ao beneficiamento local desses recursos”, observou Lula.

Por sua vez, a Indonésia demonstrou interesse em ampliar a cooperação com o Brasil nos setores de biocombustíveis e agricultura. “O presidente Lula já aceitou o envio de especialistas brasileiros para compartilhar conhecimentos em inovação e tecnologias agrícolas”, afirmou Subianto. O líder indonésio também destacou o desejo de ampliar a transferência de tecnologias no setor de defesa, citando mísseis, submarinos e treinamentos militares.

No campo geopolítico, Lula e Subianto expressaram concordância em temas sensíveis da agenda internacional, como a necessidade de uma solução diplomática para a guerra na Ucrânia e o apoio à criação de um Estado palestino. “Nossos países têm denunciado as atrocidades cometidas contra a população palestina em Gaza. Reconhecer o Estado da Palestina e permitir seu ingresso pleno na ONU é essencial para viabilizar a solução de dois Estados”, declarou Lula.

A afinidade entre os dois países também se manifesta nas agendas de combate à fome, à pobreza e às mudanças climáticas. Lula ressaltou que a Indonésia, ao implementar um programa nacional de alimentação escolar, se inspira na experiência brasileira. “A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada pelo Brasil no G20, contribuirá para tornar esse programa indonésio uma realidade”, destacou.

Outro ponto central da parceria é a proteção ambiental. A Indonésia abriga a terceira maior floresta tropical do mundo, localizada na Bacia de Bornéu-Mekong. Junto com o Brasil, o país integra a coalizão Unidos por Nossas Florestas e participa do comitê diretor do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo voltado a remunerar nações que mantêm seus biomas preservados.

“Estamos entre os maiores produtores de bioenergia do mundo. Unidos, podemos criar um mercado global de biocombustíveis que contribua para descarbonizar os setores marítimo e aéreo”, defendeu Lula. Ele também criticou medidas unilaterais de países desenvolvidos que impõem padrões ambientais aos demais. “A definição de critérios de sustentabilidade deve ocorrer em fóruns multilaterais, e não ser ditada por blocos isolados”, concluiu.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 


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