O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou ser alvo de um “cerco sem precedentes” ao comentar nas redes sociais o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) por sua condenação na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado. Em publicação feita na rede social X, na última segunda-feira (15), Bolsonaro alegou estar sofrendo uma “perseguição implacável” e comparou o caso à investigação do atentado que sofreu em 2018.
“Perseguição. Implacável. Essa é a palavra que define o tratamento dado a Jair Bolsonaro. Enquanto corruptos são absolvidos, o ex-presidente é alvo de um cerco sem precedentes. O delegado da Polícia Federal responsável pelo caso Adélio, que até hoje segue sem resposta concreta, foi alçado ao cargo de diretor de inteligência da PF no governo Lula. Coincidência? Difícil acreditar”, escreveu Bolsonaro, fazendo referência ao delegado Rodrigo Moraes Fernandes.
O ex-presidente também criticou a condução das investigações, dizendo que enfrentou “pesca probatória, quebra de sigilo, buscas e apreensões, devassas, intimidação e prisões para ‘delações’ que teriam ocorrido sem prova de nada”. Em seguida, acrescentou: “O que sobra é apenas a narrativa, a velha farsa do golpe, criada para justificar o uso da máquina do Estado contra um adversário político”.
Bolsonaro também divulgou um trecho de entrevista concedida ao portal Poder360, na qual negou envolvimento no plano conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
“Ninguém nunca pensou em matar ninguém. Eles não pensaram, tentaram matar ninguém. Se a Polícia Federal tivesse trabalhado 10% do que trabalhou para mim para o Adélio, teria descoberto quem mandou me executar”, declarou.
Na noite de segunda-feira, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou ao STF manifestação com mais de 500 páginas defendendo a condenação de Bolsonaro e de outros sete réus da chamada trama golpista. O documento reforça a denúncia apresentada pela PGR em fevereiro deste ano.
“As evidências são claras: o réu agiu de forma sistemática, ao longo de seu mandato e após sua derrota nas urnas, para incitar a insurreição e a desestabilização do Estado Democrático de Direito”, afirmou Gonet.
De acordo com o procurador-geral, as ações de Bolsonaro “não se limitaram a uma postura passiva de resistência à derrota, mas configuraram uma articulação consciente para gerar um ambiente propício à violência e ao golpe”.
“O controle da máquina pública, a instrumentalização de recursos do Estado e a manipulação de suas funções foram usados para fomentar a radicalização e a ruptura da ordem democrática”, concluiu Gonet.
Segundo ele, Bolsonaro atuou como “principal coordenador da disseminação de notícias falsas e ataques às instituições, utilizando a estrutura do governo para promover a subversão da ordem”. Para a PGR, há fundamentos que justificam a responsabilização do ex-presidente pelos crimes descritos na denúncia.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

