Talvez sejam esses os ritmos que mais inspiram as pessoas a viverem essas emoções. Há quem diga que “a dança é um abraço entre corpo e a mente”. Já Carlos Drummond de Andrade poetizou:
“A dança? Não é movimento
súbito gesto musical
É concentração, num momento,
da humana graça natural…”
E ao que tudo indica, tudo isso falou mais alto no coração de Viviane Souto, que só teve a chance de começar no balé clássico após completar 16 anos, quando pode realizar o seu sonho.
Em entrevista ao podcast “Fala Mulher”, ela conta à jornalista Vera Lima Bolognini que foi muito desencorajada pela família e até por profissionais e professores da área. “Recebi muitos senões, gente me desanimando pela minha classe social, origem humilde e pela idade já considerada avançada para iniciar no balé clássico”, conta.
Mesmo diante dos empecilhos e dificuldades, Viviane Souto realizou o seu sonho e mais… tornou-se uma bailarina professora de dança, e hoje sobrevive desse trabalho. Na escola Rios Studio de Danças, em Belo Horizonte, ela ensina o ofício para oito turmas de meninas e meninos que sonham em se tornarem bailarinas/os. “Fui na raça mesmo. O segredo é não desistir, guardar no coração o que é positivo e acreditar”.
As inspirações para fortalecer sua determinação, dia após dia, vieram de lugares diversos, mas o que vem a sua mente num primeiro momento são as aberturas do Fantástico, da TV Globo. “Eu via aqueles bailarinos e bailarinas dançado e pensava: é isso o que quero fazer.” As palavras de Viviane vêm ao encontro do que diz Ana Botafogo, a primeira-bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro desde 1981: “ a dança é para todos, independentemente da idade, e seu objetivo é proporcionar bem-estar, felicidade e saúde.”
E ainda nos versos de Drummond vamos encontrar forças para dançar:
“No solo não, no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança-não vento nos ramos
seiva, força, perene estar
um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão
libertar-se por todo lado…
Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir a forma do ser
por sobre o mistério das fábulas.”

