Com as eleições de 2026 se aproximando e a crescente disposição do senador Rodrigo Pacheco (PSD) em aceitar uma eventual candidatura ao governo de Minas Gerais por indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aliados do parlamentar intensificaram as articulações para atrair a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), para uma posição estratégica na campanha.
Embora ainda sem definição formal, Marília é cotada para assumir a coordenação da campanha de Pacheco no estado. Há também a possibilidade de que ela seja convidada a compor a chapa como vice-governadora. Interlocutores de ambos os lados já discutem as possibilidades, e a expectativa da equipe da prefeita é de que ela reaja “com simpatia” ao convite, em razão da relação de respeito e parceria construída com o senador ao longo dos últimos anos.
Um exemplo recente dessa articulação ocorreu em Brasília, quando Marília e Pacheco anunciaram juntos um investimento de trezentos milhões de reais em obras de melhoria no trecho da BR-381 que corta Contagem, entre o bairro Riacho e a Praça da Cemig, na Cidade Industrial.
Apesar das obrigações como prefeita, Marília reconhece o peso político de uma candidatura de Pacheco para unificar forças do campo progressista contra a direita em Minas Gerais. No entanto, aliados do senador consideram prematura qualquer definição, uma vez que Pacheco ainda não anunciou oficialmente que será candidato. A avaliação é que, por ora, existe mais expectativa do que ações concretas no sentido da composição.
Além das movimentações vindas do entorno de Pacheco, Marília também enfrenta pressões internas dentro do Partido dos Trabalhadores. Uma das negociações recentes envolveu seu apoio à chapa do deputado federal Reginaldo Lopes na disputa interna do PT mineiro, que lançou a deputada federal Dandara Tonantzin para a presidência do diretório estadual.
Durante essas articulações, aliados de Reginaldo discutiram com Marília a possibilidade de ela disputar uma vaga no Senado Federal em 2026 — cargo que, segundo pessoas próximas, seria o único que a prefeita consideraria concorrer.
Um dos impasses em torno desse cenário está na sucessão da Prefeitura de Contagem. O atual vice-prefeito, Ricardo Faria (PSD), aliado de Marília desde 2020, foi uma indicação direta de Pacheco e deixou o MDB para ingressar no PSD com o respaldo do senador. No entanto, setores do PT não veem Faria como o nome ideal para dar continuidade ao projeto político da prefeita.
Uma hipótese que circula entre dirigentes petistas é a de que, caso aceite integrar a chapa de Pacheco, Marília poderia conquistar espaço em um eventual novo ministério do governo Lula, fortalecendo sua posição política nacionalmente.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

