O Supremo Tribunal Federal (STF) vai reforçar a segurança do prédio e dos ministros diante da proximidade do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, previsto para ocorrer no início de setembro, próximo ao Sete de Setembro, data simbólica para apoiadores do ex-presidente. A Corte considera o momento sensível, já que o Dia da Independência tem sido marcado por manifestações contra o Judiciário.
Nos últimos anos, atos promovidos por bolsonaristas no Sete de Setembro têm atacado diretamente o STF e seus integrantes. Em resposta, o tribunal tem adotado medidas mais rígidas de segurança. Em 2023, antes mesmo dos ataques de 8 de janeiro, o edifício já estava cercado por grades metálicas. Episódios como o de novembro do mesmo ano — quando um homem acionou explosivos diante do prédio e morreu — intensificaram a preocupação com a segurança.
Na sexta-feira, 25, o deputado Hélio Lopes, aliado de Bolsonaro, instalou uma barraca na Praça dos Três Poderes em protesto contra as medidas judiciais de Alexandre de Moraes. O deputado colocou esparadrapo na boca e permaneceu no local até ser retirado por ordem do ministro. No dia seguinte, barreiras metálicas que antes cercavam apenas o STF passaram a proteger toda a Praça dos Três Poderes, e o acesso foi restrito até mesmo a turistas.
O tribunal já havia reforçado o esquema de segurança em julgamentos anteriores da trama golpista, com aumento de efetivo e uso de pórticos de raio X. Em uma das sessões, foi exigido que os celulares dos presentes fossem lacrados em embalagens plásticas. A medida, no entanto, foi revogada no dia seguinte após queixas de advogados.
Atualmente, o STF mantém quatro contratos com empresas especializadas em segurança, incluindo fornecimento de pessoal e equipamentos. O contrato mais oneroso é com a empresa Esparta, no valor de R$ 84,8 milhões, válido por dois anos.
Neste mês, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que cria 160 funções comissionadas e 40 cargos de policial judicial para o STF. As funções serão distribuídas entre os gabinetes dos 11 ministros. O impacto financeiro estimado é de cerca de R$ 7,8 milhões em 2025, custo que será absorvido pelo próprio tribunal.
Fotografia: Carlos Moura/SCO/STF

