Minas Gerais registrou, em julho de 2025, um marco relevante na cobertura vacinal: o número de doses aplicadas no estado já ultrapassou o total registrado ao longo de todo o ano de 2024. De acordo com o painel do Ministério da Saúde, até o dia 28/7, foram contabilizadas 11.306.134 vacinas aplicadas em território mineiro, superando as 10.177.630 do ano anterior, abrangendo todas as faixas etárias e imunobiológicos.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) atribui o avanço a uma série de medidas estratégicas adotadas nos últimos dois anos. A expansão dos pontos de vacinação, a realização de campanhas extramuros e o uso dos chamados vacimóveis, veículos adaptados para imunizar em áreas de difícil acesso, estão entre os fatores que contribuíram para o bom resultado. Desde 2023, o governo estadual já destinou R\$ 165 milhões a iniciativas de estímulo à vacinação em escolas, creches, empresas e centros comerciais.

Atualmente, 231 vacimóveis estão em operação em 240 municípios, responsáveis por mais de 204 mil aplicações. “Conseguimos chegar a quem não frequenta unidades de saúde e ampliar o alcance da imunização. É uma estratégia que gera impacto real”, afirma o secretário de Saúde, Fábio Baccheretti. Ele também ressalta a atuação conjunta com as prefeituras, que fortalece a capilaridade das ações. “Expandimos os pontos de vacinação, intensificamos campanhas e levamos as vacinas a locais de grande circulação”, pontua.

Com os esforços, Minas alcançou uma cobertura de 92,79% para a vacina BCG no primeiro semestre de 2025, superando a média nacional de 89,06%. Em Belo Horizonte, a taxa atingiu 90,14%. A capital vem aplicando estratégias de descentralização, como vacinação em empresas, escolas e shoppings. “Saímos de coberturas abaixo de 70% para faixas entre 80% e 85%, com ações bem planejadas”, explica Paulo Roberto Lopes Corrêa, diretor da Secretaria Municipal de Saúde da capital. Ele alerta, contudo, para a necessidade de manter a alta cobertura: “Doenças como sarampo, poliomielite e coqueluche voltaram a circular em algumas regiões, e isso exige vigilância constante”.

O engajamento da população também tem sido fundamental. A secretária escolar Paula Diniz, por exemplo, aproveitou o recesso para atualizar a caderneta vacinal dela e da filha, Maria Eduarda. “Ela tomou a vacina contra a gripe e eu, a DTPa. É importante manter tudo em dia”, diz. Ingrid Souza, mãe do pequeno Renan, de sete meses, também destaca o cuidado: “Ele está na fase de colocar tudo na boca, então vacinar é fundamental”, relata.

A formação de profissionais também é prioridade. Universidades federais, como a UFMG e a UFSJ, têm promovido oficinas, capacitações nos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (Crie) e cursos voltados às equipes locais, com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para coordenar todas as ações, o Programa Mineiro de Imunizações (PMI) foi criado em 2024, aprovado pela Comissão Intergestores Bipartite do Sistema Único de Saúde (SUS). Inspirado no Programa Nacional de Imunizações (PNI), o PMI estabelece metas, responsabilidades e indicadores específicos para os municípios mineiros.

Outro foco do governo estadual é o combate à desinformação sobre vacinas. “Ainda há muita informação sem base científica circulando. Precisamos reforçar que vacina é um compromisso coletivo com a vida e que as fontes oficiais devem ser sempre o caminho para se informar”, alerta Fábio Baccheretti.

As estratégias implantadas por Minas mostram que é possível reverter o cenário de queda nas coberturas vacinais observado nos últimos anos. Com metas definidas e ações coordenadas, o estado pretende retomar os altos índices de proteção da população e manter o controle sobre doenças imunopreveníveis.

Foto: Rafael Mendes / SES-MG


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