O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira que um eventual acordo de cooperação com os Estados Unidos envolvendo minerais críticos e terras raras pode ser incluído nas tratativas para conter os efeitos do tarifaço norte-americano sobre produtos brasileiros. A medida, que estabelece uma alíquota adicional de cinquenta por cento, está prevista para entrar em vigor ainda nesta quarta-feira.

Durante entrevista à BandNews, Haddad foi questionado sobre os pontos que podem entrar nas negociações e destacou os minerais estratégicos — como lítio, nióbio e terras raras —, insumos fundamentais para a produção de baterias elétricas e aplicações em inteligência artificial. Segundo ele, os Estados Unidos não têm reservas significativas desses minerais, o que cria uma oportunidade de cooperação bilateral. “Temos minerais críticos e terras raras. Podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes”, afirmou.

Reportagem do jornal “O Globo” já havia antecipado que os Estados Unidos demonstraram interesse em firmar parcerias com o Brasil nesse setor. A proposta de integrar esse tema ao debate comercial surge como tentativa de aliviar os impactos da decisão americana, considerada politicamente motivada por setores do governo brasileiro.

Mais cedo, Haddad também anunciou que o plano de contingência elaborado para socorrer empresas e setores prejudicados pela taxação está concluído. A previsão é de que o pacote de medidas, elaborado com participação do vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, seja anunciado até esta quarta-feira. O plano incluirá crédito em condições especiais e compras governamentais, como antecipou Alckmin em entrevistas recentes.

Haddad ressaltou que o governo brasileiro continua aberto ao diálogo, mas advertiu que, nos termos atuais, o país não aceitará um acordo. Ele demonstrou expectativa por novas exceções à lista de produtos tarifados: “Eu creio que alguma coisa ainda pode acontecer até o dia 6. Pode acontecer, mas não trabalhamos com data fatídica. Não vamos sair da mesa de negociação até que possamos vislumbrar um acordo que contemple interesses em comum.”

A taxação de cinquenta por cento imposta pelo governo norte-americano atinge centenas de produtos brasileiros, embora setores como suco de laranja e aviação civil tenham sido poupados. No entanto, o impacto potencial sobre cadeias produtivas estratégicas segue preocupando Brasília.

Ao contrário do que ocorreu com outros países, a medida aplicada ao Brasil tem justificativas que vão além do aspecto comercial. A decisão foi parcialmente motivada por questões políticas, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), fator que elevou a tensão diplomática entre os dois países.

Nos bastidores, interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconhecem que são remotas as chances de reverter totalmente a decisão americana. Ainda assim, o governo corre para finalizar o pacote emergencial de apoio às empresas brasileiras atingidas pelo tarifaço. A preocupação central é proteger empregos, conter perdas em exportações estratégicas e manter algum nível de competitividade internacional.

O pacote de medidas deve ser anunciado ainda nesta semana, paralelamente à entrada em vigor da taxação, e será acompanhado de novos esforços diplomáticos para buscar soluções em médio e longo prazos. No centro da estratégia está a valorização do papel do Brasil como fornecedor de recursos essenciais para a transição energética global — um trunfo geopolítico que o governo pretende explorar para reequilibrar a balança comercial com os Estados Unidos.

Foto: Diogo Zacarias/MF

 


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