Um dia após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a segurança foi intensificada na região da Praça dos Três Poderes, em Brasília. A Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) aumentou o efetivo de agentes a partir da Avenida das Bandeiras, que dá acesso ao Congresso Nacional, até a área central da praça.
No Supremo, a vigilância no prédio foi reforçada desde a noite de segunda-feira. Já no Palácio do Planalto, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) reativou o cercamento com grades de ferro. Por volta das 9h15 desta terça-feira, equipes concluíram a instalação da barreira, que havia sido removida no final de julho após manifestações de parlamentares bolsonaristas no local.
A mobilização ocorreu em meio a protestos realizados por apoiadores do ex-presidente na noite anterior. Manifestantes organizaram um buzinaço e uma carreata por avenidas da capital federal. Em seguida, reuniram-se em frente ao condomínio no Jardim Botânico onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. O grupo pretendia marchar até a Esplanada dos Ministérios, mas foi impedido por bloqueios da PM-DF acerca de treze quilômetros do Supremo, medida adotada para evitar confrontos ou tentativas de aglomeração diante da sede do tribunal.
A decisão de Moraes baseou-se em “reiterado descumprimento de medidas cautelares”. Segundo o ministro, Bolsonaro teria “ignorado e desrespeitado” a Corte ao participar, por telefone, de uma manifestação realizada no domingo na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, que pedia anistia aos envolvidos nos atos de oito de janeiro e criticava o STF.
Entre as restrições impostas anteriormente estava a proibição de uso de redes sociais, inclusive por meio de terceiros. “O flagrante desrespeito às medidas cautelares foi tão óbvio que, repita-se, o próprio filho do réu, o senador Flávio Nantes Bolsonaro, decidiu remover a postagem realizada em seu perfil, com a finalidade de omitir a transgressão legal”, escreveu Moraes em sua decisão.
Foto: Sérgio Roxo

