A rejeição da população brasileira aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 atingiu 83,3% em agosto deste ano, superando os 74% registrados em janeiro de 2024. Os dados são da pesquisa “Confiança no Judiciário e imagem dos ministros do STF”, realizada pelos institutos Atlas e Bloomberg e divulgada nesta quinta-feira. Do total, 8,4% declararam apoiar as ações de invasão das sedes dos três Poderes, enquanto 8,3% não souberam responder — na sondagem anterior, esses índices eram de 15% e 11%, respectivamente.
O levantamento mostra que a invasão ao Congresso Nacional, ao Palácio do Planalto e ao Supremo Tribunal Federal é vista como “completamente injustificada” por 62,3% dos entrevistados, contra 59% no início do ano passado. Outros 23,9% consideram os atos “parcialmente justificados”, 8,2% os classificam como “completamente justificados” e 5,6% não souberam responder. Em janeiro de 2024, esses percentuais eram de 15%, 14% e 12%, respectivamente.
As punições aplicadas aos participantes dos atos foram avaliadas como “exageradas” por 51,1% dos entrevistados, variação de 0,6 ponto percentual a menos que no levantamento anterior. Para 35,3%, as sanções foram “adequadas”, 11,6% acreditam que foram “insuficientes” e 2% não souberam opinar. Em janeiro, esses índices eram de 31,8%, 16,4% e 0,1%, respectivamente.
A responsabilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro pelos eventos também divide opiniões. Nesta rodada, 50% disseram acreditar que ele não foi responsável, enquanto 48,8% afirmaram o contrário, e 1,2% não soube responder. Em janeiro de 2024, a percepção era inversa: 52% atribuíram a ele responsabilidade, e 44% discordaram.
A pesquisa ainda perguntou sobre a possibilidade de uma anistia “ampla, geral e irrestrita” a líderes políticos e demais envolvidos. A maioria, 51,2%, se opôs à medida, 46,9% se mostraram favoráveis e 1,9% não souberam responder. Esses números representam variação inferior a um ponto percentual em relação a março de 2025.
A decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de determinar prisão domiciliar para Bolsonaro também divide o eleitorado: 52,1% se posicionaram contra, 47% a favor e 0,9% não souberam responder. Quanto à decisão do Tribunal Superior Eleitoral que o tornou inelegível por oito anos em razão de declarações sobre o sistema eleitoral, 50,1% discordam, 49,5% concordam e 0,4% não têm opinião formada.
O levantamento ouviu 2.447 pessoas entre 3 e 6 de agosto, via recrutamento digital. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. Segundo os institutos, o método online “evita o eventual impacto psicológico da interação humana sobre o respondente na hora da entrevista” e permite que “o entrevistado responda ao questionário em plena anonimidade, sem temer causar impressões negativas ao entrevistador ou a terceiros”.
A confiança no Supremo Tribunal Federal também foi medida. De acordo com a pesquisa, 51,3% dos brasileiros afirmaram não confiar na Corte, enquanto 48,5% disseram confiar, e 0,2% não souberam responder.
No quesito competência e imparcialidade, 51,1% avaliam que a maioria dos ministros não demonstra essas qualidades no julgamento de processos. Por outro lado, 47,9% acreditam que sim, e 1% não têm opinião formada.
Sobre a atuação do Judiciário, 45,4% entendem que o Brasil vive uma “ditadura do judiciário”. Outros 43,3% discordam dessa afirmação e consideram que o poder está cumprindo seu papel corretamente, enquanto 11,2% afirmam que, embora não haja uma ditadura, há juízes que cometem abusos e extrapolam suas atribuições. Apenas 0,1% não respondeu.
A visão de que o Judiciário cumpre adequadamente sua função mais que dobrou em relação a fevereiro de 2024, passando de 20,9% para 43,3%. Já a percepção de que o país vive sob uma “ditadura” caiu levemente, de 47,3% para 45,4%.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

