Em evento realizado no Rio de Janeiro, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, afirmou que Donald Trump ofende “profundamente” seus próprios cidadãos ao sustentar, de forma falsa, que o país tem déficit comercial com o Brasil, argumento usado para justificar o tarifaço contra produtos brasileiros. Laureado com o Nobel da Paz em 2007 por sua atuação ambiental e fundador da ONG Climate Reality Project, Gore declarou confiar nos esforços do Brasil para sediar a COP30 e destacou que o país pode ocupar papel de liderança global por ser “amplamente respeitado” pela comunidade internacional.

Ele criticou duramente a postura do presidente norte-americano, que impôs tarifas de 50% sobre exportações brasileiras e sancionou individualmente ministros como Alexandre de Moraes, do STF, e Alexandre Padilha, da Saúde. “Acho profundamente ofensivo para muitos cidadãos americanos que Trump tenha mentido descaradamente ao dizer que os EUA têm um grande déficit comercial com o Brasil. Ele diz coisas que são comprovadamente falsas. Temos superávit, não déficit”, disse Gore. Em seguida, enumerou outras declarações enganosas do republicano: “Diz que a Ucrânia começou a guerra, que carvão é limpo, que moinhos de vento causam câncer, que é um homem honesto. Todas essas coisas são mentiras”. Para ele, a democracia nos EUA precisa se reafirmar com força nas próximas eleições.

Gore também destacou a importância da COP30 em Belém, apesar dos desafios logísticos de hospedagem. “Eu estarei em Belém. Tenho confiança de que Lula e os líderes da COP farão o necessário para garantir que o mundo seja bem recebido”, afirmou. Disse já ter acomodação confirmada e demonstrou otimismo quanto ao sucesso do evento.

Ao conversar com jornalistas, reiterou que o Brasil é um “país-chave” na agenda climática global e elogiou Lula, Marina Silva e André Corrêa do Lago. Reconheceu, no entanto, que liderar a transição energética mundial é desafiador. “O Brasil reúne economias desenvolvidas, em desenvolvimento e emergentes. É amplamente respeitado, mas assumir esse papel será difícil. Ainda assim, acredito que tem mais chances de sucesso do que praticamente qualquer outro país”, afirmou.

Relembrando sua participação na Rio-92, Gore destacou que, desde então, o consenso tem sido um obstáculo nas negociações. Ele pediu novos paradigmas em Belém: “As últimas três COPs foram sediadas por ditaduras, duas em estados petrolíferos, e os resultados não foram satisfatórios. Levou 28 edições até que a expressão ‘combustíveis fósseis’ fosse mencionada, quando sabemos que mais de 80% da crise climática vem de sua queima. Precisamos de uma transição energética, e espero que o Brasil reafirme esse compromisso”.

O ex-vice-presidente citou ainda cientistas brasileiros como Carlos Nobre e Antônio Nobre, que alertaram para o risco de a Amazônia atingir o “ponto de não retorno”. Para Gore, é urgente mudar políticas globais: “Se pararmos de usar o céu como esgoto para poluição que aprisiona calor, podemos salvar a floresta e outros ecossistemas. Mas é preciso vontade política para derrubar o poder hegemônico dos poluidores”.

Nos próximos dias, Gore e sua ONG promovem treinamento no Rio para formar novas lideranças climáticas, reunindo cientistas, ativistas e a ministra Marina Silva. O evento reforça sua confiança de que o Brasil pode transformar a COP30 em marco histórico da luta ambiental.

Foto: Divulgação / Climate Reality Project

 


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