O Comando Militar do Planalto (CMP) ficará responsável pela coordenação do desfile de 7 de Setembro deste ano, em Brasília, em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). A parte operacional deverá ser conduzida pela 3ª Brigada de Infantaria Mecanizada, de Cristalina (GO), sob supervisão direta do CMP. Em edições anteriores, outras guarnições eram designadas para a tarefa. Desta vez, a Polícia do Exército atuará ao lado de forças da Marinha, da Aeronáutica, da Polícia Federal, da Polícia Civil e da Polícia Militar, com efetivo estimado em 4.500 agentes para reforçar a segurança da Esplanada.

A preocupação de militares de alta patente é evitar que o desfile seja usado como ferramenta de polarização política. Informações recebidas nos quartéis indicam que manifestações tanto pró quanto contra Bolsonaro estão sendo organizadas e podem gerar confrontos.

A lembrança mais recente de interferência política ocorreu nas comemorações do bicentenário da Independência, em 2022. Na ocasião, Bolsonaro deixou o palanque antes do término do desfile oficial, caminhou pela avenida em Brasília e cumprimentou apoiadores em tom de campanha. No Rio, transferiu as celebrações da Avenida Presidente Vargas para Copacabana, onde discursou de cima de um carro de som. Em São Paulo, apenas o então comandante do Sudeste, Tomás Paiva, hoje comandante do Exército, compareceu ao evento às margens do Ipiranga.

Em razão da instrumentalização política das cerimônias de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Bolsonaro e seu candidato a vice, o general Walter Braga Netto, inelegíveis. Foi a segunda decisão contra o ex-presidente, que já havia perdido os direitos políticos em julgamento anterior por atacar o sistema eletrônico de votação em reunião com embaixadores.

O julgamento criminal da chamada trama golpista terá início em 2 de setembro, coincidindo com as festividades da Independência. A previsão é que os trabalhos no STF se estendam até o dia 12. O ministro Alexandre de Moraes apresentará o relatório, seguido pelas sustentações das defesas e da acusação da Procuradoria-Geral da República. Em seguida, votarão Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e o presidente Cristiano Zanin.

Se houver pedido de vista, possibilidade considerada pouco provável, o julgamento poderá ser suspenso por até três meses, sendo retomado em dezembro. Até lá, os desfiles de 7 de Setembro ocorrerão sob forte aparato de segurança e vigilância redobrada em Brasília.

Foto: Brenno Carvalho

 

 


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