Aliados próximos de Jair Bolsonaro e até membros de sua equipe de defesa afirmaram nesta quinta-feira (21) terem sido surpreendidos pela existência de um documento que sugere um pedido de asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei. O arquivo foi localizado pela Polícia Federal no celular do ex-presidente, apreendido durante operação de investigação.
O texto, sem data ou assinatura, foi interpretado por conselheiros jurídicos como indício de que Bolsonaro cogitava uma fuga do país. A possibilidade reforçou o receio de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determine a conversão da prisão domiciliar em regime fechado, antes mesmo do julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado de 2022.
De acordo com o relatório policial, a última modificação no arquivo ocorreu em 12 de fevereiro de 2024. “O conteúdo revela que Jair Messias Bolsonaro praticou atos para obter asilo político na Argentina. Embora seja um único documento em formato editável, sem data e assinatura, seu teor indica que o réu, desde a deflagração da operação Tempus Veritatis, planejava atos para fugir do país e impedir a aplicação da lei penal. Trata-se do arquivo ‘Carta Jair Messias Bolsonaro.docx’, salvo em 10/02/2024 às 18h28”, destacou a PF.
A descoberta levou a um debate interno entre aliados sobre os riscos de agravamento da situação jurídica do ex-presidente. Um ponto que aumentou a apreensão foi a decisão de Moraes de intimar Bolsonaro a prestar esclarecimentos em até 48 horas sobre o descumprimento de medidas cautelares e o risco de evasão. Além disso, o ministro determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja ouvida antes de adotar novas providências.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

