O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta sexta-feira (22) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seria “muito bem recebido” caso buscasse asilo político na Argentina. A declaração foi feita durante o 24° Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, em meio às discussões sobre a situação judicial de Bolsonaro e a corrida presidencial de 2026.

A fala ocorre após a Polícia Federal revelar que encontrou no celular do ex-presidente uma minuta de pedido de asilo político dirigida ao presidente argentino Javier Milei. Segundo a PF, o documento foi elaborado logo após a deflagração das investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.

“Ninguém precisa pedir asilo. Você atravessa um rio aqui e você está na Argentina. E o Bolsonaro ia ser muito bem recebido lá, porque eu fui à posse do Milei com ele e fiquei impressionado com o povo na rua, o que tinha de gente no nosso hotel querendo conhecer Bolsonaro”, declarou Valdemar.

O dirigente do PL também comentou a publicação do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), que chamou de “ratos” alguns governadores de direita pré-candidatos à Presidência em 2026. Para Valdemar, a fala deve ser entendida como fruto de um momento de tensão familiar. “São todos parceiros nossos, o [Romeu] Zema, em Minas Gerais, o [Ronaldo] Caiado, em Goiás. Temos gente preparadíssima, como Ratinho [Jr., governador do Paraná]. Tenho certeza que nós vamos estar juntos no segundo turno, ou até no primeiro, quem sabe. Acontece que às vezes um filho vê o pai naquele estado e se desespera, fica nervoso, é natural. Temos que defender nossas famílias”, disse.

O mesmo argumento foi repetido por governadores como Zema e Cláudio Castro (PL-RJ), que também minimizaram o episódio. No evento, Valdemar alegou que existe uma “guerra” em Brasília contra Bolsonaro e contra seu partido, sem citar diretamente o STF ou outras instituições. “O que estão fazendo com o presidente Bolsonaro, a humilhação que eles estão impondo ao nosso partido e ao presidente Bolsonaro tem destruído Bolsonaro pessoalmente. Ele fez uma operação muito séria recentemente, e dia após dia é um acontecimento”, declarou.

Valdemar criticou a decisão que impôs o uso de tornozeleira eletrônica ao ex-presidente, mas evitou mencionar nominalmente o Supremo. Ele relembrou ainda a ordem de prisão de Bolsonaro, classificada como tentativa de silenciar parte da população. “A ordem de prisão do presidente Bolsonaro, um dia após as manifestações populares (às quais Bolsonaro não compareceu), soa como vontade de calar uma boa parte da população brasileira que, de forma pacífica, conforme autoriza a Constituição, foi às ruas protestar, como permite um regime democrático”, afirmou.

O presidente do PL também abordou o cenário para 2026, reforçando a esperança de que Bolsonaro possa disputar novamente, mesmo diante do atual quadro judicial. Ele comparou a situação com a trajetória de Lula (PT), que foi preso e, anos depois, eleito presidente. “Quem diria (…) que ele seria candidato a presidente? Foi candidato e ainda ganhou”, disse Valdemar.

Questionado sobre se Bolsonaro teria confidenciado planos de candidatura, Valdemar respondeu que prefere não especular. “Bolsonaro não comenta comigo, e se faz comentário comigo eu não levo em consideração, porque eu quero que ele decida. E sei que quando ele decidir vai ser pela cabeça dele”, destacou.

Ao citar possíveis nomes da direita para a eleição, Valdemar deu ênfase ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele contou ter ficado surpreso quando Bolsonaro o escolheu como candidato em 2022. “Quase tive um infarte quando Bolsonaro decidiu. Ele não vota em São Paulo, não conhece o estado direito e não fez uma obra para São Paulo como ministro. Foi uma escolha improvável”, disse.

Mesmo assim, o dirigente considerou a decisão acertada, afirmando que Tarcísio hoje tem índices de aprovação elevados e pode ser peça central nas articulações da oposição.

Foto.: Beto Barata/ PL

 


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