A mais recente pesquisa Genial/Quaest revelou que a percepção da população brasileira sobre a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na tentativa de golpe de Estado voltou a crescer. De acordo com o levantamento, 52% dos entrevistados afirmaram que Bolsonaro esteve diretamente envolvido no plano, contra 36% que disseram acreditar no contrário. Desde a última aferição, em março deste ano, o índice dos que veem ligação do ex-presidente com a trama subiu três pontos percentuais e cinco em relação a dezembro de 2024. Já o percentual dos que negam sua participação oscilou dentro da margem de erro, passando de 34% em dezembro para 35% em março, chegando agora a 36%.
A pesquisa também indicou que 10% dos entrevistados não souberam ou não responderam à questão, enquanto 2% declararam que não houve tentativa de golpe. A alta da percepção de envolvimento do ex-presidente foi puxada, sobretudo, pelos resultados obtidos no Nordeste, onde 62% dos entrevistados apontaram sua participação — contra 57% no levantamento anterior —, e no Sudeste, onde o percentual subiu de 47% para 52%. No Sul, a maioria continua a avaliar que Bolsonaro não esteve envolvido, com 46%. No Centro-Oeste, embora tenha crescido a parcela dos que o consideram inocente — de 35% para 40% —, o grupo ainda é minoria frente aos 47% que responderam “sim”.
A sondagem ouviu 2.004 pessoas entre os dias 13 e 17 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Outro dado relevante é o perfil dos entrevistados. A percepção de envolvimento de Bolsonaro é maior entre as mulheres, chegando a 55%, contra 50% dos homens. Entre os mais velhos, de 60 anos ou mais, o índice saltou de 46%, em março, para 56% na pesquisa atual. Entre os jovens de 16 a 34 anos, 52% responderam que o ex-presidente participou da trama. A percepção também cresceu entre pessoas com menor escolaridade — 57% das que possuem até o Ensino Fundamental o culpam, contra 50% no levantamento anterior — e entre famílias de baixa renda. No segmento de até dois salários mínimos, 57% concordaram que Bolsonaro esteve envolvido, ante 52% em março.
Quando analisado o recorte religioso, houve queda entre os católicos, passando de 52% para 50%. Já entre os evangélicos, a percepção de inocência de Bolsonaro aumentou. Em março, 46% isentavam o ex-presidente; agora, esse índice subiu para 54%. Entre os eleitores sem posicionamento político, o número de entrevistados que veem Bolsonaro como participante da tentativa de golpe passou de 52% para 58%.
A pesquisa também questionou por que os entrevistados acreditam que Bolsonaro participou de uma chamada de vídeo durante as manifestações de 3 de agosto. Para 57%, o ex-presidente agiu de propósito para provocar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Já 30% afirmaram que Bolsonaro não teria compreendido as regras impostas por Moraes e errou, enquanto 13% não souberam ou preferiram não responder.
A análise regional revelou que a percepção de provocação foi mais forte no Nordeste, com 60% dos entrevistados, e no Sudeste e Centro-Oeste, onde 58% também avaliaram que a atitude foi intencional. No Sul, 38% consideraram que Bolsonaro simplesmente não entendeu as regras. Entre as mulheres, 59% viram a atitude como provocação, contra 56% dos homens. Entre os católicos, 61% interpretaram a participação como deliberada, enquanto entre os evangélicos esse número foi de 45%. No recorte de renda, 60% dos que recebem até dois salários mínimos avaliaram como provocação, contra 51% entre os que recebem acima de cinco salários.
Por faixa etária, a maioria também entendeu a atitude como proposital: 59% dos jovens de 16 a 34 anos, 55% dos adultos de 35 a 59 e 57% dos idosos de 60 anos ou mais. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 78% disseram que Bolsonaro quis provocar Moraes, enquanto apenas 26% dos que votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022 concordaram com essa avaliação. Entre os sem posicionamento político, 62% também acreditam que o ex-presidente agiu de forma deliberada.
Outro ponto investigado foi a percepção sobre a decisão do STF de manter Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. Para 55% dos entrevistados, a medida é justa, enquanto 39% a consideram injusta e 6% não souberam ou não responderam. A aprovação à decisão foi maior no Nordeste, onde 65% concordaram, contra 30% que discordaram. No Centro-Oeste, os números ficaram mais equilibrados: 48% a favor e 43% contra.
O levantamento mostrou ainda que a rejeição à medida é praticamente unânime entre os bolsonaristas, dos quais 87% a consideram injusta. Entre os eleitores de direita não identificados com Bolsonaro, 79% também classificou a decisão como injusta, contra 19% que concordaram com ela.
Foto: Gustavo Moreno/STF

