Uma expedição científica inédita na Amazônia, chamada Iaraçu, reunirá pesquisadores do Brasil e da França, além de comunidades locais, para integrar ciência e conhecimento tradicional em prol do enfrentamento das mudanças climáticas. A iniciativa contará com a participação de ribeirinhos, empreendedores da bioeconomia, associações, cooperativas e demais grupos interessados em compartilhar experiências que possam fortalecer a produção científica.
Segundo o embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain, a proposta tem caráter inclusivo. “O Iaraçu tem uma dimensão participativa e esse encontro de diferentes vozes e saberes é o que dá peso e particularidade ao projeto”, afirmou.
A expedição ocorrerá paralelamente à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém, em novembro. O barco partirá de Manaus e percorrerá cidades como Itacoatiara, Parintins, Óbidos, Alter do Chão, Almerim, Porto de Moz, Gurupá e Breves, chegando à capital paraense antes do dia 6 de novembro. O objetivo é que o material coletado seja levado às negociações internacionais e sirva de subsídio para decisões globais.
O Institut de Recherche pour le Développement (IRD), responsável pela iniciativa, explicou que o nome Iaraçu combina referências culturais da região: “Iara é a protetora dos rios e açu significa algo grandioso. Vamos buscar a palavra dos ribeirinhos e levar à COP30 todo o conhecimento e sentimentos que emergirem dessa convivência”, destacou o instituto em nota.
De acordo com Denise de Carvalho, presidente da Capes, a expectativa é que a expedição resulte em novas publicações científicas. “Pelo menos alguns livros e artigos temos certeza que serão produzidos, ampliando a divulgação científica das atividades realizadas nesse barco”, afirmou.
Uma chamada pública selecionará a equipe franco-brasileira formada por 28 integrantes. O grupo poderá incluir pesquisadores, startups de soluções climáticas, além de agências e instituições socioambientais. Estão previstas ações como workshops, seminários, formações e dinâmicas participativas para coletar informações junto a comunidades tradicionais impactadas pelas mudanças climáticas.
Foto: Capes/Divulgação

