O Grupo EQM, presidido pelo empresário Eduardo de Queiroz Monteiro, promove nesta segunda-feira (1º) a 14ª edição do Fórum Nordeste. O evento acontece no Mirante do Paço, no Bairro do Recife, e tem como propósito central discutir os desafios e as oportunidades relacionados às energias renováveis e aos biocombustíveis no contexto da transição energética.
Ao longo do dia, os convidados terão acesso a sete painéis temáticos, com palestrantes e mediadores especializados. Para ampliar o alcance, o fórum é transmitido ao vivo pelo canal da “Folha de Pernambuco”,no YouTube.
Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) e também presidente-executivo da NovaBio, destacou a relevância do encontro. “A Folha de Pernambuco, o Grupo EQM, com a mentoria do Sindaçúcar, tem procurado realizar todo ano um fórum de energias renováveis que trate da transição energética e, sobretudo, da sustentabilidade. Essa é a 14ª edição”, explicou.
O dirigente reforçou ainda que, embora o Brasil possua uma matriz energética considerada renovável, há a necessidade de maior controle sobre as emissões de dióxido de carbono (CO₂). Segundo ele, “o mundo, com os desastres climáticos, tem sofrido bastante, principalmente pelas imprevisibilidades que essas questões acarretam para a vida do planeta. Quem acredita na vida do planeta, numa vida com a geopolítica menos tóxica, e que privilegie o meio ambiente, eu acho que esse é um grande caminho. O etanol e a biomassa são líderes nessa possibilidade de ofertar mais bônus ambiental”.
A solenidade de abertura ocorreu às 9h, com a entrega do Prêmio Fórum Nordeste. O primeiro painel, às 10h15, contou com um depoimento em vídeo de André Aranha Corrêa do Lago, embaixador e secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, sobre a COP30, da qual é presidente. A mediação foi realizada por Renato Cunha.
Ele explicou que buscaria conduzir o debate a partir das perspectivas setoriais. “Os participantes vão falar das estratégias gerais do Brasil. Como mediador, eu vou tentar buscar dos meus colegas, que serão os porta-vozes, um pouco da perspectiva do biocombustível, dos transportes, e a questão também de florestas plantadas. São temas de interesse do nosso setor, participar do reflorestamento com florestas plantadas e atuar sobre as questões ligadas à biomassa, ao etanol, e que envolvam a parte dos transportes”, destacou.
Na sequência, às 11h30, Pietro Adamo Sampaio Mendes, diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apresentou a palestra “Combustível do Futuro: Caminhos da Bioenergia para Atender aos Compromissos Climáticos”. A mediação coube a Pedro Robério de Melo Nogueira, presidente do Sindaçúcar Alagoas e vice-presidente do Conselho Temático da Agroindústria (Coagro) da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Às 12h30, o vice-presidente Comercial de Etanol da Inpasa, Gustavo Mariano, abordou o tema “Um Overview da Produção de Etanol de Milho no Brasil”. O debate foi mediado por Guilherme Nolasco, presidente-executivo da União do Etanol de Milho (UNEM).
À tarde, às 14h30, Daniel Sofer, fundador da empresa DSA, apresentou o painel “Motores Pesados 100% a Etanol – Uma Nova Rota Tecnológica”. Logo em seguida, às 14h45, ocorreu o painel “Quo Vadis: Rumos do Setor Sucroenergético do Brasil”, conduzido pelo CEO da Datagro Consultoria, Plinio Nastari, e mediado por Eduardo de Queiroz Monteiro.
Nastari destacou a competitividade do etanol e o potencial de expansão do setor. “Nós vamos abordar também o potencial de expansão do consumo de etanol, em particular pela frota flex, e as estimativas de evolução do consumo de combustíveis do ciclo Otto. Nós vamos avaliar também a expansão da produção de etanol de milho nas diferentes regiões do país e o que isso traz de impacto para a cobertura do déficit de etanol na Região Nordeste no futuro. E vamos discutir quais são as perspectivas para novas oportunidades de ampliação de mercado”, afirmou.
Ele também sublinhou os ganhos trazidos pela inovação. “É isso que tem permitido transmitir aos consumidores a redução de custos e, portanto, de preços que têm sido atingidos com a implementação dessas inovações e das diversificações que o setor tem implementado. Ao longo do tempo, o custo médio de produção continua caindo e isso tem sido transmitido à sociedade através de reduções de preços muito significativas. Eu acho que esse é um ponto importante para ser ressaltado nas discussões do Fórum Nordeste deste ano”, acrescentou.
Às 15h45, teve início o “Painel Multissetorial da Transição Energética”. Entre os palestrantes estiveram Gilberto Peralta, CEO da Airbus Brazil, que falou sobre “combustível de aviação”; André Gustavo Alves, diretor Comercial e de Novos Produtos da Usina Cocal, que apresentou o case “biometano, o combustível do presente”; e Henrique Araújo, diretor de Relações Institucionais da Copersucar, que abordou “biocombustíveis marítimos – a rota do etanol”. A mediação também ficou a cargo de Renato Cunha.
Ele destacou a importância da diversidade temática do painel. “Eu vou procurar explorar com os palestrantes questões voltadas ao combustível de avião. O etanol tem procurado cada vez mais se inserir nesses combustíveis de aviação. Haverá outro módulo nessa palestra relativo aos combustíveis marítimos, para que a gente possa conhecer as regras da Organização Internacional Marítima, que disciplina essas questões dos combustíveis que envolvem o e-metanol, os combustíveis ligados a biobunker, que serão também avaliados”, explicou.
Cunha acrescentou que o evento também traz exemplos concretos. “Vamos tentar explorar também com um case real, de uma grande usina de São Paulo chamada Cocal, o Grupo Cocal, que vai apresentar o que eles têm feito na questão do biometano, que é uma grande realidade já no Centro-Sul do país”, ressaltou.
O último painel começou às 17h, com Luiz Abel de Andrade Amorim, diretor de Negócios do Banco do Nordeste (BNB), que apresentou dados sobre o papel da instituição no financiamento de energia limpa. Participaram ainda Armando Monteiro Bisneto, diretor-presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape; Massimo Cadorin, vice-presidente da Fiepe; e Saulo Cabral, presidente da Neoenergia Pernambuco.
Segundo estimativa do BNB, os financiamentos realizados em 2024 para projetos de geração centralizada de energia limpa devem evitar a emissão de 18,3 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente (tCO₂e).
O Fórum Nordeste 2025 conta com patrocínio do Banco do Nordeste, Suape, FMC, Sudene, Copergás e Neoenergia, além do apoio do Governo de Pernambuco, da Prefeitura do Recife, da Fertine e da NovaBio. O suporte técnico é fornecido pelo Sindaçúcar-PE, e a realização é do Grupo EQM.
Ao encerrar a programação, os organizadores reforçaram que o objetivo do evento é manter o diálogo sobre inovação e sustentabilidade como pauta prioritária. O fórum busca consolidar o papel do Nordeste na liderança das discussões sobre a transição energética, tema que ganha ainda mais relevância com a proximidade da COP30, a ser realizada em Belém.
Fonte: Folha de Pernambuco
Foto: Ademar Filho

