Indústrias brasileiras estão unindo forças com empresários norte-americanos em uma estratégia conjunta para pressionar o governo de Donald Trump a negociar a reversão do tarifaço imposto sobre produtos brasileiros. A ação ocorre durante uma missão internacional organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que está visitando os Estados Unidos esta semana.

A comitiva é formada por representantes de oito federações estaduais: Minas Gerais (FIEMG), Paraná (FIEP), Paraíba (FIEPB), Rio de Janeiro (FIRJAN), Rio Grande do Norte (FIERN), Santa Catarina (FIESC), Goiás (FIEG) e São Paulo (FIESP). Também participam aproximadamente 80 empresários brasileiros e 50 norte-americanos, que se reuniram em Washington, capital dos EUA, na quarta-feira (3) e quinta-feira (4).

O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, destacou a importância da articulação bilateral. “O setor industrial brasileiro articulou com parceiros americanos para que também pressionem o governo dos EUA em busca de um consenso para superar a crise. Estamos trabalhando juntos para que ambos os governos se sentem à mesa e encontrem uma saída para esse impasse”, afirmou.

Segundo Roscoe, o principal resultado imediato da missão é o fortalecimento da sinergia entre os setores produtivos dos dois países. “Acredito que esse esforço em cada país será capaz de mobilizar forças políticas na direção correta para superarmos essa crise”, completou.

O presidente da FIEG, André Rocha, explicou que a meta é reduzir as tarifas impostas ou ampliar a lista de produtos isentos. “Estamos tratando com as contrapartes, com a Câmara de Comércio Americana, a US Chamber, justamente para tentar reduzir as tarifas ou conseguir também uma nova lista de exceção”, disse.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o diálogo busca criar um espaço de negociação pautado por critérios técnicos. “Queremos garantir que uma mesa de negociação exista, na qual argumentos técnicos, comerciais e econômicos prevaleçam, criando alternativas para enfrentar possíveis equívocos que vêm da ordem política ou geopolítica”, ressaltou Alban.

O tarifaço, com alíquota de 50% sobre importações brasileiras, é uma das mais duras medidas adotadas por Donald Trump na guerra comercial em curso. Ele foi acompanhado da abertura de uma investigação comercial contra o Brasil. Além disso, Trump assinou uma Ordem Executiva classificando o país como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos, em termos semelhantes aos aplicados a nações como Cuba, Venezuela e Irã.

Esse contexto também envolve questões políticas internas. A atuação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que vive atualmente nos EUA, em favor das sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras, passou a ser investigada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. A ofensiva norte-americana ocorre em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados pela tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Diante desse cenário, o governo brasileiro lançou, no último dia 13, o “Plano Brasil Soberano”, com medidas emergenciais para apoiar empresas, exportadores e trabalhadores atingidos pelas sobretaxas. O objetivo é fortalecer a indústria nacional, proteger empregos e buscar soluções diplomáticas e multilaterais para o impasse.

Entre as iniciativas estão novas linhas de crédito. Somente o Fundo Garantidor de Exportações destinará R$ 30 bilhões para financiar operações com juros acessíveis e ampliar o crédito às exportações. Empresas mais impactadas terão prioridade, considerando a dependência das vendas externas para os EUA, o tipo de produto exportado e o porte da companhia.

Pequenas e médias empresas também poderão acessar recursos por meio de fundos garantidores, com a condição de manter empregos. Além disso, estão previstos aportes de R$ 4,5 bilhões em fundos garantidores e R$ 5 bilhões em crédito via novo Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários (Novo Reintegra).

Com essas ações, o governo busca mitigar os efeitos imediatos do tarifaço, enquanto a missão empresarial da CNI trabalha nos Estados Unidos para construir pontes políticas e comerciais que possam levar à reversão das medidas impostas por Donald Trump.

Foto: CNI/Divulgação


Avatar

administrator