O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recebeu na manhã desta quinta-feira a liberação do visto para entrar nos Estados Unidos e acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem a Nova York, que acontecerá entre os dias 20 e 24 deste mês. Durante a estadia, Lula fará o tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, e Padilha poderá participar também da conferência internacional da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Segundo fontes do governo brasileiro, Padilha foi o último integrante da comitiva presidencial a receber o documento. Na terça-feira, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, já havia sido autorizado a entrar no país, após semanas em que seu visto esteve suspenso pelo Departamento de Estado americano.
Padilha estava com o visto vencido desde o início de 2024 e solicitou a renovação no dia 18 de agosto. Questionado recentemente por jornalistas sobre a demora no processo, ele demonstrou tranquilidade. “Esse negócio do visto é igual aquela música, ‘tô nem aí’. Vocês estão mais preocupados com o visto do que eu. Acho que só fica preocupado com o visto quem quer ir para os Estados Unidos. Eu não quero ir para os Estados Unidos. Só fica preocupado com o visto quem quer sair do Brasil ou quem quer ir pra lá fazer lobby de traição da pátria, como alguns estão fazendo. Não é meu interesse, tá certo?”, disse, em referência ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No mês passado, antes de Padilha solicitar a renovação, sua esposa e sua filha de dez anos tiveram os vistos cancelados pelo governo americano. Outros servidores federais que atuaram na implementação do programa Mais Médicos, criado em 2013 no governo Dilma Rousseff, também foram afetados. De acordo com a Casa Branca, médicos cubanos que trabalharam no Brasil pelo programa eram vítimas de exploração de mão de obra análoga à escravidão.
A viagem de Lula e da delegação está marcada para domingo. Até poucos dias antes do embarque, havia incerteza sobre a liberação dos vistos por parte dos EUA.
O cancelamento dos vistos foi uma resposta americana ao tratamento dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente Donald Trump chegou a condicionar a retirada de uma sobretaxa de cinquenta por cento sobre produtos brasileiros ao arquivamento do processo contra Bolsonaro.
Na semana passada, Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão pelo STF. Após a decisão, o governo americano indicou que poderá impor novas sanções a autoridades brasileiras. Até agora, o principal alvo dessas medidas é o ministro Alexandre de Moraes, que teve o visto cancelado e está proibido de realizar operações comerciais e financeiras com empresas americanas.
Fotos: João Risi / MS

