O deputado Delegado Marcelo Freitas (União-MG) deve ser confirmado nesta sexta-feira como relator no Conselho de Ética da Câmara do processo que pode levar à cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Freitas, que já apoiou as campanhas presidenciais de Jair Bolsonaro em dois mil e dezoito e dois mil e vinte e dois, foi selecionado após sorteio que também incluiu os nomes dos deputados Duda Salabert (PDT-MG) e Paulo Lemos (PSOL-AP). Ambos são opositores de Eduardo e provavelmente apresentariam relatórios favoráveis à cassação.

Para aliados do deputado investigado, a escolha de um parlamentar do União Brasil funciona como um “cartão amarelo”, em vez de um “cartão vermelho” imediato. Ainda assim, a avaliação predominante na Câmara é de que Eduardo tem poucas chances de escapar da perda do mandato.

Na última terça-feira, Duda Salabert publicou um vídeo em suas redes sociais comentando o sorteio. Segundo interlocutores do presidente do Conselho de Ética, Fábio Schiochet (União-PR), essa manifestação inviabilizou a possibilidade de que ela assumisse a relatoria. “Eu fui sorteada na lista tríplice como um dos nomes que pode decidir se Eduardo será ou não cassado. Logo eu, que tenho uma relação íntima. Em dois mil e vinte e dois, quando lancei minha candidatura ao Senado, Eduardo compartilhou uma mensagem de ódio contra mim. Depois disso, bolsonaristas exigiram minha demissão na escola em que trabalhava”, afirmou a deputada.

Marcelo Freitas é considerado um nome de “perfil mais discreto”. Ex-delegado da Polícia Federal, ele auxiliou em Minas Gerais a campanha de Jair Bolsonaro em dois mil e dezoito e relatou a PEC da Previdência, considerada a principal reforma do governo. Durante a crise interna do PSL, em dois mil e dezenove, ficou ao lado de Luciano Bivar e se afastou do grupo mais próximo ao bolsonarismo, mas três anos depois voltou a declarar apoio à reeleição do presidente.

Eduardo Bolsonaro é acusado pelo PT de usar o cargo para articular, desde fevereiro, sanções internacionais contra autoridades brasileiras e atacar o Supremo Tribunal Federal. Fora do país há sete meses, ele enfrenta também processo administrativo por faltas não justificadas. A tentativa de blindagem por meio da indicação à liderança da Minoria foi barrada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que alegou que o cargo não pode ser ocupado por quem reside fora do Brasil.

Nos bastidores, deputados avaliam que a escolha de Freitas traz um alívio momentâneo a Eduardo, mas não elimina o risco de cassação, apenas torna o processo “menos hostil” e lhe concede mais tempo de defesa.

Foto: Roque de Sá/Agência Senado


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