Após o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) aprovar, na madrugada do último sábado (30), o pedido de licenciamento de exploração da Taquaril Mineração S.A.(Tamisa) na Serra do Curral, diversos abaixo-assinados, novos e antigos, começaram a ser compartilhados nas redes sociais.

O objetivo, em geral, é pressionar o governo do Estado, gestores estaduais responsáveis pelo meio ambiente e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG).

Na visão dos organizadores dos abaixo-assinados, esse tipo de empreendimento impacta a população e as comunidades vizinhas de diversas maneiras, ameaçando a segurança hídrica da região metropolitana, nascentes, o Hospital da Baleia e o corredor ecológico da Mata Atlântica.

A área visada pela Tamisa é tombada a nível municipal e federal, mas somente o tombamento estadual pode prevenir a exploração do terreno, que está na divisa com Nova Lima e Sabará.

Movimentos e abaixo-assinados

Mesmo antes de o assunto vir à tona, em meados de 2021, o coletivo ‘Tombe a Serra do Curral’ foi criado pela vereadora belo-horizontina Duda Salabert (PDT). Considerado um dos principais movimentos mineiros, o coletivo luta pelo tombamento a nível estadual do conjunto da Serra do Curral, para garantir a manutenção do contorno da serra e impedir a instalação de novos empreendimentos minerários que ameaçam a integridade do patrimônio.

“Para isso, é essencial que a sociedade se engaje nessa causa e nos ajude a pressionar o governo do Estado e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA) para garantir a proteção da Serra por meio do tombamento estadual”, diz publicação no site do grupo.

Não há informações sobre o número de assinaturas recolhidas até o momento pelo coletivo.

Outro movimento, o ‘Não à mineração na Serra do Curral’, tem, até esta quarta-feira (4), mais de 2,5 mil assinaturas contra o empreendimento da mineradora. Flávio Torre, um dos autores do abaixo-assinado, e líder do movimento ‘Salve a Serra do Curral’, que busca proteger a serra e outras causas ambientais na região metropolitana, explica que o abaixo assinado surgiu depois do seminário ‘Plano Diretor e Movimento de Luta por Novos Horizontes’, realizado na universidade PUC Minas entre os dias 28 e 30 de abril.

De acordo com ele, o evento contou com o apoio de mais de 100 movimentos e instituições de luta socioambiental, técnicos e institutos como o Projeto Manuelzão, da Universidade Federal de Minas (UFMG).

Cláudia Pires, arquiteta urbanista, que também faz parte do ‘Salve a Serra do Curral’, cobra a participação da sociedade civil. “É preciso que a população entenda que essa questão da mineração já atingiu todos os limites possíveis dentro do Estado. Ultrapassou o respeito com as regras ambientais e as boas práticas de convivência entre uma atividade econômica e a conservação dos ecossistemas”.

“Os movimentos que estão a favor do meio ambiente vão lutar até as últimas forças para poder conseguir reverter essa situação. Nós confiamos na Justiça, confiamos na capacidade de discernimento de alguns setores do Estado” conclui.

Outro grupo, o coletivo ‘Tira o pé da minha Serra’, pretende pressionar o governo estadual e gestores responsáveis pelo meio ambiente e pede anulação da licença de operação do complexo minerário. O abaixo assinado já recolheu 55 mil assinaturas.
Sobre os abaixo-assinados, a Tamisa disse que recebe “com respeito as manifestações da sociedade e com a convicção de que tudo será esclarecido”.


1 Comentário

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    Jairo Gomes Viana, maio 6, 2022 13:56 @ 13:56

    Esse Copam e a maioria dos órgãos ambientais são uma vergonha. Já participei das reuniões do Copam e fiquei estarrecido com o que acontece nas reuniões. O fato de ser um conselho paritário, sempre olham para o lado do empreendedor, financeiro e econômico. Dificilmente zela pela defesa do interesse ambiental. O Copam como outros órgãos ambientais existem para orientar os empreendedores como agirem e atuarem para conseguir o que desejam a medida que pagam as taxas cobradas pelo Estado. Dificilmente dizem não para um empreendimento e não seria diferente com a Serra do Curral. Há alguns anos, numa reunião do Copam em Divinópolis MG, presenciei um conselheiro combinando com os empresários, advogados e “consultores ambientais” o que diriam no momento que lhes fossem dado a defesa do empreendimento. O conselheiro sentou à mesa e aconteceu o que combinaram antes do início da reunião. Não me contive com o fato vergonhoso e reclamei ao presidente do Copam que nada fez. Provavelmente situações como esta ocorrem em outros órgãos.

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