O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, afirmou nesta quarta-feira que a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve acontecer “nos próximos dias”. A declaração foi feita após a repercussão do contato preliminar entre os dois líderes durante a Assembleia Geral da ONU, quando conversaram brevemente e combinaram de marcar um encontro. Embora ainda não haja data definida, a expectativa é de que uma conversa telefônica anteceda a reunião oficial.
Para Sidônio, a ida de Lula à ONU e o diálogo com Trump já representam avanços diplomáticos, mas o governo brasileiro mantém claro que sua soberania não está em negociação. “Foi muito importante a ida do presidente lá na ONU, a fala dele e, posteriormente, a conversa com o presidente dos Estados Unidos. Existe uma expectativa, o governo brasileiro está disposto à negociação, aberto para isso. A única coisa que não está na mesa de negociação é a nossa soberania. Acho que esse encontro deve acontecer nos próximos dias”, declarou.
A fala ocorreu em Brasília, durante um debate sobre comunicação pública promovido pela FSB Holding, maior grupo do setor no país, que atende diversos ministérios e grandes empresas privadas. No evento, Sidônio destacou a necessidade de o governo ocupar espaços de informação antes da disseminação de notícias falsas, alertando que a comunicação não pode ser apenas reativa. “Comunicação não pode ser só defensiva, você estar respondendo. Você tem que sair na frente, tem que informar primeiro”, disse.
O ministro citou a chamada crise do Pix como exemplo de falha de comunicação. Em dois mil e vinte e três, a Receita Federal publicou uma norma que exigia das fintechs a mesma obrigação já aplicada a bancos tradicionais: notificar movimentações financeiras a partir de determinado valor. A regra incluía transações superiores a cinco mil reais em Pix, TED ou cartão de débito. A medida, no entanto, foi interpretada pela oposição como preparação para a taxação do Pix. Um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) viralizou com críticas à norma, alcançando mais de cem milhões de visualizações. A repercussão obrigou o governo a recuar.
Sidônio avaliou o episódio como uma combinação de erro do governo e sucesso das fake news. “A gente não pode deixar a fake news chegar na frente. Esse foi o erro do governo. Não comunicou devidamente o que estava fazendo, quais são as medidas, inclusive para combater o crime organizado. Depois vocês viram o que aconteceu, teve operação da Polícia Federal envolvendo várias fintechs. Lá atrás, a medida era para fazer controle. Mas fizeram fake news em cima disso e virou algo incontrolável. A verdade tem que sair na frente. Se o governo vai fazer uma coisa, comunique. Passe a informação correta antes. Ocupe todo o espaço, porque aí, quando vier a fake news, você vai ganhar de nove a um, oito a dois. Do jeito que estava, não dava”, afirmou.
Outro ponto levantado pelo ministro foi a necessidade de que todos os integrantes do governo dominem diferentes áreas além de suas próprias pastas. Ele ressaltou que o trabalho de comunicação exige compreensão de toda a máquina pública. “Na minha área, eu tenho que falar com todos os ministros. Com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, que chegou. Tenho que entender da área dele, sou obrigado a entender de todas as áreas. Se eu não tiver conhecimento e esperar que ele me brife, estou errado. Eu tenho colocado que não vale a pena conhecer somente a área deles e falar só dela, tem que entender a política pública como um todo e qual é a concepção do governo”, explicou.
Sidônio também comentou a mudança de slogan da gestão Lula, de “Governo Federal: União e Reconstrução” para “Governo do Brasil: do lado do povo brasileiro”. Segundo ele, a alteração reflete um esforço para reforçar a identidade nacional e a defesa da soberania diante das críticas recebidas em temas tributários e econômicos. “Era sempre conhecido como governo federal. O que é governo federal? Com essa questão de estarem questionando a soberania brasileira com as taxações que aconteceram, a gente falou: por que não governo do Brasil? E aí resolvemos. Primeira coisa, adotar governo do Brasil. A segunda coisa é mudar o slogan. União e Reconstrução foram importantes, mas união plena é difícil. O que o governo pode fazer é trabalhar pontos de convergência. Na reconstrução, já avançamos em várias áreas. Agora é a hora de mostrar que o governo está do lado do povo brasileiro”, afirmou.
Na avaliação do ministro, a nova formulação busca enfatizar o combate às desigualdades e a redução dos privilégios. “Quando a gente fala do lado do povo brasileiro, é pegar noventa e nove por cento contra zero vírgula um por cento. Não é contra. Eu estou vendo que tem muito empresário aqui e eu também sou, estou de licença, mas sou da área. É de dar condições de todos crescerem, e a melhor forma é diminuir desigualdade e privilégios. Uma das coisas que mais influenciam a desigualdade social no mundo é o imposto de renda. Os que ganham mais geralmente pagam menos, e os que ganham menos pagam proporcionalmente mais. Não é interessante que a gente tire privilégios e diminua desigualdade? Essa é a compreensão do governo e por isso o novo slogan: Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro”, concluiu.
Com sua fala, Sidônio Palmeira buscou demonstrar não apenas a expectativa por uma aproximação diplomática entre Lula e Trump, mas também a defesa de uma comunicação mais eficiente e proativa. Para ele, em tempos de circulação acelerada de informações, o governo precisa estar à frente, ocupando todos os espaços possíveis para evitar que narrativas falsas se consolidem antes da divulgação oficial dos fatos.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

