O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Belém, no Pará, onde reafirmou a importância da cidade como sede da Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP30), que acontecerá em pouco mais de um mês. Durante discurso, Lula afirmou que ninguém “vai dormir pior do que a gente dorme em nenhum lugar do mundo” e destacou que, apesar das limitações estruturais, a recepção calorosa do povo paraense compensará qualquer ausência de luxo.

Queremos garantir ao mundo que ninguém vai aqui dormir pior do que a gente dorme em nenhum lugar do mundo. Para compensar a falta de um quarto de hotel luxuoso, haverá o amor do povo do Pará nas ruas desta cidade, mostrando quem somos”, disse Lula ao lado de ministros e autoridades locais.

A declaração foi dada durante a inauguração do Parque Linear da Nova Doca e de uma estação de tratamento de esgoto, obras realizadas no contexto da preparação da capital paraense para receber o evento internacional. Lula também inspecionou projetos voltados especificamente para a COP30, que será realizada entre 10 e 21 de novembro.

A escolha de Belém como sede da conferência tem sido alvo de críticas de diplomatas e organizações não governamentais, sobretudo pela rede hoteleira considerada insuficiente e pelos altos preços da hospedagem durante o período. Lula, no entanto, rebateu as observações afirmando que há “preconceito” contra a Amazônia e lembrando que soluções alternativas estão sendo adotadas.

“A COP não é um desfile de moda nem um palco para produtos ideológicos. Não é um espaço onde as pessoas falam o que querem e depois vão embora. Esta COP será diferente. Quero que o mundo conheça a Amazônia, os nossos rios, a copa das árvores e os povos indígenas do Brasil”, destacou o presidente.

Segundo ele, diante da limitação de quartos disponíveis, muitas famílias do Pará estão dispostas a oferecer suas casas como hospedagem. “O povo do Pará vai transformar suas casas em quartos e muitos estão saindo de seus lares para receber estrangeiros. Estão dizendo: ‘venham morar no meu aconchego por uns dias para conhecerem o que é o Pará’”, declarou Lula.

Para reforçar a infraestrutura, o governo contratou cruzeiros que servirão de hotéis flutuantes durante o evento. “Fomos atrás de dois navios, daqueles que a gente só vê em novela e em filme, que cabem quatro mil pessoas cada. Esses navios vão estar em Belém para receber quem quiser dormir neles”, explicou.

O presidente também respondeu a queixas vindas de países africanos sobre os preços elevados da hospedagem. Segundo ele, o governo federal e o governo estadual vão garantir que as delegações dessas nações tenham acomodação digna. “Resolvemos assegurar que os países africanos, ao virem para a COP, terão onde dormir, terão o que comer e, se quiserem beber, também terão”, assegurou Lula.

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), agradeceu a decisão do presidente de manter Belém como sede do encontro, mesmo diante da pressão internacional para transferir o evento. “Se esta COP não saiu de Belém, devemos isso a uma pessoa: Luiz Inácio Lula da Silva. Eu sei o quanto a ONU tentou lhe constranger e o quanto alguns países pressionaram, porque não acreditavam que a Amazônia pudesse sediar o maior evento climático do planeta. Mas o senhor foi resiliente, valente e corajoso”, disse Barbalho.

A comitiva presidencial contou com ministros como Rui Costa (Casa Civil), Márcio Macêdo (Secretaria-Geral), Jader Filho (Cidades), Margareth Menezes (Cultura), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Celso Sabino (Turismo). Este último participou de seu último ato oficial no cargo, já que deixou o ministério após decisão do União Brasil de deixar a base governista.

Foto 2: Ricardo Stuckert / PR

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 


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