A um ano das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ensaia uma recuperação em sua popularidade, mas ainda está aquém dos índices alcançados por líderes que se reelegeram ou conseguiram eleger sucessores. Embora sua posição atual seja melhor que a de Jair Bolsonaro, Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso em momentos de derrota governista, Lula enfrenta níveis de aprovação semelhantes aos registrados no auge do escândalo do mensalão, em 2005, quando precisou reconstruir sua imagem até a vitória de 2006.
O primeiro semestre foi marcado por queda de aprovação, impulsionada pela alta dos alimentos e pela crise do Pix. “O governo perdeu força no início do ano, mas conseguiu reagir com o alívio da inflação e fatores externos favoráveis”, apontam analistas. A tensão comercial provocada por Donald Trump deu a Lula um discurso de soberania nacional, enquanto a queda nos preços da cesta básica ajudou a melhorar a percepção popular sobre o poder de compra.
Com foco nas camadas de menor renda, o Planalto intensificou programas de auxílio para gás e energia elétrica. Já a classe média foi contemplada pelo avanço no Congresso da proposta que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil — bandeira central da campanha de 2026 e aposta como “marca” social do governo.
“O que produziu a recuperação de Lula em 2006 foi a economia”, recorda o cientista político Antonio Lavareda, do Ipespe. “Para 2026, o PIB deve crescer menos, mas a queda da Selic pode gerar otimismo: mais importante que a redução em si é a notícia dela, que cria um ‘efeito de bem-estar’.”
Na série histórica do Ipsos-Ipec, Lula é o único da Nova República a se reeleger após registrar mais desaprovação que aprovação um ano antes da votação. Em 2005, o petista tinha 49% de reprovação e 45% de aprovação; hoje, os números são de 51% e 44%, respectivamente, ainda com saldo negativo.
Pesquisas recentes mostram divergência entre os institutos: o Ipespe já indica virada positiva, com 50% de aprovação; o Datafolha aponta empate técnico em 48%; e a Quaest registra 46% de apoio contra 51% de reprovação. “A aprovação é a variável mais fortemente associada à possibilidade de reeleição ou continuidade de um partido no poder”, conclui Lavareda.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

