O primeiro dia do Encontro Nacional de Automação (ENA 2025) reuniu especialistas, executivos e representantes da indústria para debater os avanços e desafios da automação e da transformação digital nos processos produtivos. O evento, em sua quarta edição, ocorre nesta quarta e quinta-feira, no Expominas, em Belo Horizonte, e conta com uma programação diversificada de painéis e palestras simultâneas voltadas à inovação tecnológica e à integração entre indústria e tecnologia.

Um dos painéis de destaque foi “Inovação em foco: insights de líderes de diversos setores sobre automação e transformação digital”. Com mediação de Luiz Paulo Lucchesi, diretor de vendas da Simatec, e de Danielle Cavalcanti, gerente de planejamento da empresa, o debate contou com a participação de Rômulo Castro, engenheiro de projetos da Vallourec; Juliene Oliveira, gerente de engenharia da Vale; e Fábio Silva, diretor da Cargill LATAM. Os executivos compartilharam experiências e práticas voltadas à digitalização e à automação industrial em suas organizações.

Lucchesi destacou que a digitalização é um caminho inevitável para as empresas que buscam competitividade e eficiência. “A transformação digital vai muito além da tecnologia. É sobre conectar pessoas, processos e dados de maneira inteligente”, afirmou.

Rômulo Castro abordou a convergência entre OT (tecnologia operacional) e TI (tecnologia da informação) na Vallourec, ressaltando que essa integração tem permitido decisões mais rápidas e precisas, alinhando as operações aos objetivos estratégicos. Ele também apontou os principais desafios do processo, como segurança cibernética, maior complexidade de projetos, integração de equipes multidisciplinares e gestão de talentos. “A verdadeira transformação digital acontece quando unimos tecnologia, pessoas e propósito”, destacou o engenheiro.

Na sequência, Juliene Oliveira explicou como a Vale tem aplicado tecnologias digitais para controle e otimização de processos produtivos. Segundo ela, a transformação digital baseia-se em um tripé essencial: pessoas, tecnologia e processos. “A integração tecnológica deve ter foco em eficiência, segurança e decisões baseadas em dados. Mais do que ferramentas, ela exige engajamento humano, revisão de fluxos operacionais e uma cultura voltada à inovação e à melhoria contínua”, ressaltou.

Fábio Silva, da Cargill, apresentou as soluções digitais implementadas nas fábricas de óleo de soja da companhia, destacando o uso da automação para monitorar os laços de controle e aumentar a eficiência operacional. Ele enfatizou que a tecnologia é uma ferramenta essencial para elevar a produtividade e reduzir desperdícios, garantindo vantagem competitiva em um mercado cada vez mais dinâmico.

Outro painel importante abordou o tema “Inovação e digital com foco em resultados”, apresentado por Hugo Ferreira Braga, professor e diretor de inovação e tecnologia da Fundação Dom Cabral. Ele ressaltou que a inovação deve estar associada a uma visão estratégica e estruturada, com foco em resultados concretos. “É fundamental compreender o que realmente significa inovar, indo além da superficialidade. Inovação requer profundidade técnica, metodologias sólidas e objetivos bem definidos”, explicou.

Braga afirmou ainda que as empresas inovadoras se destacam por seu planejamento de curto, médio e longo prazo, apoiado em governança de dados e gestão estratégica. “A inovação está diretamente ligada ao uso inteligente de informações e à capacidade de transformar dados em valor para o negócio”, afirmou. O professor também destacou a importância da gestão de pessoas nesse processo. “Uma empresa precisa identificar profissionais aptos a lidar com inteligência artificial e outras tecnologias emergentes. A inovação depende tanto da tecnologia quanto da mentalidade das equipes”, completou.

Para ele, a cooperação entre os setores de inovação e tecnologia é fundamental. “As equipes precisam atuar de forma integrada, com escuta ativa, colaboração e compartilhamento de conhecimento. Somente assim a agenda inovadora se torna parte permanente da cultura empresarial”, concluiu.

O ENA 2025 é promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e correalizado pela Gerdau. O evento conta com patrocínio máster das empresas Stefanini IHM, NTT DATA, Rockwell Automation e Siemens. O patrocínio ouro é da EnergyTech, Leine Linde, Russula, Schneider Electric, Grupo TSA e Westcon. Já o patrocínio prata reúne Apta, Aquarius Software, GE Vernova, Autron, Baumer, Cast, Cisco, Nexa, Dimensional, Lapp, Newon, Samson Group, Simatec e TCS. O encontro tem ainda o apoio do ISA Minas Gerais Section, reforçando o compromisso do setor industrial com a inovação, a automação e a digitalização como caminhos para o futuro da indústria brasileira.

Foto: Sebastião Jacinto Júnior/FIEMG


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