O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu nesta terça-feira, durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado no Senado, que o Parlamento aprove um aumento de trinta e oito por cento no orçamento da instituição para o próximo ano. Além da ampliação de recursos, ele sugeriu a necessidade de dobrar o efetivo atual da PF para enfrentar, com mais eficiência, o avanço das facções criminosas no país.

Segundo Rodrigues, a PF opera hoje com um limite financeiro insuficiente. Ele afirmou que “tudo que a polícia tem de recurso é um bilhão e oitocentos milhões” e fez um apelo aos senadores para que a Lei Orçamentária Anual seja ajustada. Em suas palavras, “nós tenhamos um aumento desse valor para, ao menos, dois bilhões e quinhentos milhões, para que a gente tenha melhores condições de fazer o combate às facções”.

O diretor-geral ressaltou que a ampliação do orçamento permitirá fortalecer as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, conhecidas como FICCOs, estruturas coordenadas pela PF em parceria com órgãos estaduais de segurança. Ele destacou que essas equipes são fundamentais para enfrentar facções, milícias e outras organizações criminosas que operam com estrutura complexa e atuação territorial.

A oitiva de Rodrigues foi a primeira realizada pela CPI, criada após a repercussão da operação policial no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, que resultou na morte de cento e vinte e uma pessoas. A comissão ainda deve ouvir ministros, governadores, especialistas e servidores da área de segurança pública ao longo das próximas semanas.

Durante sua fala, o chefe da PF também criticou trechos do Projeto de Lei Antifacção em tramitação na Câmara dos Deputados. Ele afirmou que a legislação precisa priorizar estratégias voltadas à apreensão do patrimônio econômico das organizações criminosas e ao enfrentamento das operações de lavagem de dinheiro que se expandem pelo mercado financeiro digitalizado.

Foto: Lula Marques/Agência Brasil


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